A questão é  simples: a Aston Martin está “barata”, pelo que está exposta aos devaneios e ao espírito empreendedor de alguém com bom gosto e muito dinheiro disponível. E esse alguém pode ser Lawrence Stroll, o canadiano que tem uma fortuna avaliada em 2,8 mil milhões de dólares, segundo a Forbes, que reuniu graças a investimentos em marcas de luxo, sobretudo roupa e acessórios, da Ralph Lauren à Tommy Hilfiger, passando pela Pierre Cardin.

A Aston Martin faz carros cada vez mais impressionantes, tem uma gama cada vez mais completa e está em vias de iniciar as entregas do Valkyrie, o hiperdesportivo mais sensacional dos últimos (muitos) anos. Ainda assim, como já percebemos com a Tesla, os mercados financeiros tendem a ser não muito amigos dos pequenos construtores, mesmo quando caminham no bom sentido, o que por vezes os expõe a possíveis take-overs. A Aston Martin estava moribunda nas mãos da Ford, que nunca revelou qualidades para gerir marcas de luxo, à semelhança do que aconteceu com a Jaguar, Land Rover e Volvo.

Em 2007, a Aston Martin foi adquirida à Ford por 475 milhões de libras por um consórcio privado, para em 2012 ser readquirida por outro grupo similar. Mas desde Abril que a Aston Martin viu as suas acções perderem 40% do seu valor, segundo a Forbes, estando a ser cotadas abaixo da dezena de libras desde Agosto de 2019. Os analistas apontam a marca inglesa como estando fortemente desvalorizada, mas em vias de se valorizar rapidamente caso o SUV que se prepara para começar a vender, o DBX, seja um sucesso. Foi isto que suscitou o interesse de Lawrence Stroll.

7 fotos

Stroll tornou-se conhecido não por ser bilionário, mas sim por ter adquirido a equipa de Fórmula 1 Force India, à frente de um conjunto de investidores, que estava falida e com dívidas de 20 milhões de dólares a credores. O investidor canadiano comprou o team por 118 milhões de dólares, rebaptizando-a Racing Point, no exacto momento em que o seu filho, o jovem Lance Stroll, necessitava de uma equipa com mais potencial onde correr este ano. E logo uma com contrato para dispor de motores Mercedes, considerados os melhores da grelha de partida.

Além de estar a reunir um grupo de investidores para tomar conta da Aston Martin, o pai Stroll é um adepto fervoroso de carros, possuindo uma colecção de Ferrari clássicos avaliada em mais de 160 milhões de dólares. Lawrence Stroll fez o grosso da sua fortuna ao vender as suas acções da Michael Kors, empresa de que adquiriu uma percentagem importante e que depois levou à bolsa em 2011, para se desfazer delas assim que considerou terem atingido o seu patamar máximo, em 2014.