Os protestos pacíficos no Líbano contra o governo tornaram-se violentos neste fim de semana, provocando, até esta madrugada, ferimentos em mais de 90 pessoas, no mesmo dia em que está prevista a renomeação do primeiro-ministro.

A Defesa Civil Libanesa indicou que transferiu “20 feridos para hospitais da região para tratamento médico” e que pelo menos 72 pessoas foram tratadas no local onde decorreram os protestos, no centro de Beirute, incluindo um fotógrafo. As forças de segurança libanesas dispararam no domingo gás lacrimogéneo, balas de borracha e canhões de água para dispersar centenas de manifestantes, pelo segundo dia consecutivo, terminando o que começou como uma manifestação pacífica. Houve ainda registos de violência entre grupos de manifestantes, com divergências políticas entre eles, que incendiaram algumas tendas erguidas na Praça dos Mártires, epicentro dos protestos que começaram em 17 de outubro no país.

A Human Rights Watch (HRW) identificou os manifestantes que provocaram os confrontos como seguidores dos grupos xiita Hezbollah e Amal.

Os seguidores do Hezbollah e Amal tentam atacar os manifestantes, mas os manifestantes permanecem firmes”, denunciou a HRW.

Os protestos de domingo foram maioritariamente pacíficos, mas alguns manifestantes lançaram garrafas de água e engenhos de fogo às forças de segurança que guardam o Parlamento. Após algumas horas, as forças de segurança expulsaram os manifestantes com o recurso a bastões e gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

Centenas de pessoas permaneceram quando a dispersão começou e alguns promoveram confrontos com as forças de segurança para expressarem a sua raiva contra esta repressão e a abordagem “do costume” do governo. “Recuperamos o nosso país desta ocupação”, disse à LBC TV um manifestante zangado, referindo-se ao que chama de Governo corrupto há décadas no poder.

As forças de segurança perseguiram os manifestantes pelo centro de Beirute, disparando gás lacrimogéneo e balas de borracha. Alguns manifestantes esconderam-se na zona comercial em redor do Parlamento e outros, com máscaras, atiraram pedras aos polícias.

A violência ocorreu na véspera de um encontro, que se realiza esta segunda-feira, entre o Presidente e os blocos parlamentares, no qual se espera que o primeiro-ministro resignado Saad Harir seja renomeado para o posto. Saad Harir resignou a 29 de outubro no meio de protestos de âmbito nacional que acusam a elite política de corrupção e má administração, enquanto o Líbano atravessa o pior declínio económico em décadas.

Os manifestantes dizem que não aceitam Hariri como primeiro-ministro, exigindo um chefe do Governo independente e não filiado em nenhum dos partidos. Após semanas de disputas, os partidos políticos falharam na apresentação de nomes independentes, com a maioria a insistir em manter a sua parte política no Governo.