Sete cadáveres em decomposição foram encontrados no sábado num barco de pesca abandonado que deu à costa no Japão e que se suspeita ter origem na Coreia do Norte.

O barco foi encontrado pela guarda costeira japonesa junto à ilha de Sado, a cerca de 900 quilómetros em linha reta da costa da Coreia do Norte.

Segundo um elemento da guarda costeira citado pela AFP, “cinco dos corpos foram identificados como sendo de homens, mas os outros dois não foram identificados”.

O facto de o barco de pesca ter caracteres coreanos pintados no casco levanta a suspeita de que se trate de mais um “navio fantasma” oriundo da Coreia do Norte — um fenómeno que se tem repetido ao longo dos últimos anos —, o que levou à abertura de uma investigação policial à origem da embarcação.

Só em 2019, deram à costa japonesa pelo menos 156 embarcações de pesca semelhantes, mas o fenómeno não é novo. Em 2015, contabilizavam-se já 283 barcos encontrados no Japão, numa altura em que o regime da Coreia do Norte intensificava os esforços piscatórios do país.

As autoridades suspeitam que os pescadores norte-coreanos se venham a afastar cada vez mais da costa do seu país para cumprir as exigências governamentais relativas à quantidade de pescado e ao tamanho dos peixes.

Porém, tendo à sua disposição apenas barcos muito antigos, com poucos e desatualizados equipamentos eletrónicos de localização, são comuns os casos de tripulações que se perdem no mar e esgotam o combustível.

Sem tecnologia para chamar ajuda, os barcos ficam à deriva no Mar do Japão e, frequentemente, são levados pelas correntes até à costa japonesa — quase sempre tarde demais para os tripulantes, que acabam por morrer à fome no interior dos navios.

As circunstâncias em que os barcos são encontrados, habitualmente com cadáveres no interior, levou a que fossem apelidados de “navios fantasma”. Ainda assim, há registo de alguns casos em que as autoridades japonesas foram a tempo de resgatar os tripulantes com vida.