Isabel dos Santos diz que o arresto decretado às suas contas bancárias e participações em empresas — a par das do seu marido, Sindika Dokolo, e do gestor português Mário Leite da Silva — “abrange um património superior a dois mil milhões de euros, pelo que satisfaz, em excesso, a medida preventiva requerida em Angola”. Assim, a empresária angolana não vê razões para uma medida semelhante ser replicada em Portugal.

Em respostas por escrito ao jornal Público, Isabel dos Santos garante que a possibilidade de as autoridades de Luana pedirem às autoridades de Lisboa para também congelarem alguns bens “não parece ser um cenário viável”. E garante que o que o processo em Angola não tem “qualquer impacto ou efeito” em investimentos feitos fora do país, nomeadamente em Portugal.

Antes dessas declarações, numa entrevista também por escrito ao Negócios, esta sexta-feira, a empresária angolana dizia que o arresto contra ela era uma forma de “mascarar o fracasso” da política económica de João Lourenço, o atual Presidente de Angola, reafirmando que o processo é apenas político e acusando o Ministério Público de sustentar a decisão em acusações falsas.

Sem responder de forma direta a algumas das questões — não diz, por exemplo, se tenciona ir a Luanda para se defender pessoalmente da sentença que determinou o arresto —, e sublinhando que criou “mais de uma dúzia de empresas em Angola que hoje empregam mais de 10.000 pessoas”, Isabel dos Santos volta a fazer o aviso que repetiu esta semana: as próprias empresas podem estar em causa com esta “tentativa de espoliação”.

O congelamento de contas impede-me de recapitalizar e gerir as minhas empresas. Como tal, as empresas foram condenadas à morte”, assegura.

Há, porém, um cenário que, para já, parece afastar — o da eventual nacionalização dos seus bens empresariais. Diz que não existe “um quadro legal ou jurídico” que o permita e sublinha que seria o primeiro caso “desde a revolução em Angola que pôs fim à época colonial e culminou com a declaração da independência”.

Questionada sobre a possibilidade de uma intervenção pública do próprio José Eduardo dos Santos, para “normalizar as relações entre o Estado angolano e a família”, Isabel dos Santos descreve o pai como “um líder democrático”, que “venceu com maioria absoluta três eleições democráticas” e que se retirou da vida política de forma pacífica, algo “muito incomum em África”.