A justiça libanesa proibiu esta quinta-feira o magnata Carlos Ghosn de abandonar o Líbano, onde se refugiou após fugir do Japão e na sequência de uma ordem de prisão pedida pela Interpol, disse à AFP uma fonte judiciária de Beirute. “A Procuradoria Geral decidiu interditar Carlos Ghosn de viajar e pediu o processo” judicial em curso no Japão, disse a fonte sobre o ex-presidente da Renault/Nissan, acusado de desvio de fundos e má gestão.

Por outro lado, a Associated Press, que também cita uma fonte judicial libanesa que pediu anonimato, refere que a decisão teve como base a informação da Interpol indicando que Ghosn pretendia deslocar-se a Israel. A mesma fonte da AP indicou igualmente que o Líbano recebeu na semana passada o pedido da Interpol.

Carlos Ghosn, que deveria ser julgado em Tóquio, fugiu do Japão no dia 30 de dezembro. Os procuradores japoneses ordenaram a sua prisão no final de 2018.

Esta quinta-feira, o advogado do magnata foi chamado à Procuradoria de Beirute, mas desconhece-se ainda se Ghosn esteve presente.

Na quarta-feira o ex-executivo falou em conferência de imprensa durante quase três horas tendo criticado o sistema judicial japonês que acusou de violar liberdades fundamentais. Ghosn disse que não acreditava na possibilidade de um julgamento justo no Japão, referindo que as acusações de Tóquio “são falsas e sem fundamento”.

O Líbano e o Japão não partilham tratados de extradição e o mandado da Interpol, que sugere às autoridades que localizem e detenham provisoriamente o fugitivo, não é vinculativo.

Beirute já informou que Ghosn entrou no Líbano usando um passaporte válido.

Paralelamente, o antigo presidente da Renault/Nissan pode vir a enfrentar um novo processo judicial em Beirute relacionado com uma visita que efetuou a Israel em 2008. Dois advogados libaneses já submeteram o processo à Procuradoria de Beirute argumentando que a viagem violou as leis locais porque o Líbano está tecnicamente em guerra contra Israel e as deslocações ao país são proibidas.

Na conferência de imprensa de quarta-feira, Carlos Ghosn pediu desculpas ao Estado libanês, afirmando que nunca quis ofender “ninguém” quando se deslocou a Israel com documentos franceses onde apresentou um projeto de veículos elétricos da Renault/Nissan.

Ghosn — que tem cidadania libanesa, francesa e brasileira — agradeceu a hospitalidade das autoridades do Líbano.