Nunca a Aston Martin esteve tão bem em matéria de produto. A sua gama é hoje moderna, os seus veículos têm uma estética fabulosa e tecnologia a rodos, com a marca a preparar-se para começar a entregar aos clientes os seus dois mais exuberantes superdesportivos de sempre, o Valkyrie, com 1176 cv, e o Valhalla, menos possante mas muito mais acessível.

Porém, a necessidade de desenvolver as primeiras versões electrificadas e o DBX, o primeiro SUV do construtor britânico, absorveram mais verbas do que estava previsto, especialmente porque, como as vendas ainda não começaram, não houve qualquer retorno ao enorme investimento realizado. Daí que a marca britânica tenha fechado 2019 com apenas metade dos lucros reivindicados em 2018, um “mergulho” das contas que chegou em má altura.

Há vários interessados em ajudar a Aston Martin e assumir o controlo do construtor no processo mas, segundo a Reuters, há um novo candidato a investir uma generosa quantidade de dinheiro na marca inglesa: os chineses da Geely. Porém, tanto a Geely como o seu patrão Li Shufu, agora que estão decididos a “abocanhar” a Aston Martin, não são fáceis de convencer a desistir dos seus objectivos.

Que o diga a Daimler, que tentou impedir a entrada de Shufu no capital do grupo que detém a Mercedes, apenas para o ver adquirir quase 10% na bolsa, assumindo-se como o maior accionista do grupo alemão. E, de caminho, comprou 50% da Smart, que passará a ser fabricada em breve exclusivamente na China. Aliás, a própria Daimler detém 5% da Aston Martin, a quem fornece os motores V8 biturbo.

O maior accionista da Daimler, também o dono da Volvo, Lotus e não só, poderia ser uma grande ajuda para a Aston Martin, apesar de poder beliscar a sua imagem de construtor britânico. Contudo, o facto de a Geely já ter plataformas para eléctricos, além de motores e baterias, de fabricação igualmente chinesa, tornaria mais fácil ao fabricante britânico electrificar os seus modelos. De momento, a Geely está a auditar a Aston Martin para ter a certeza que vai encontrar exactamente aquilo que lhe foi prometido, antes de adquirir uma fatia da marca, que é uma das mais prestigiosas do mercado.