Os construtores alemães estão conscientes de que a rede de Superchargers da Tesla é um trunfo importante para o fabricante norte-americano manter os clientes actuais e cativar novos. Primeiro, porque a rede já cobre todos os países europeus – só em Portugal existem já sete estações com 64 postos de carga a 150 kW, com cinco outras estações a estarem previstas para 2020 – e, depois, porque a energia nos Superchargers ainda é fornecida de forma gratuita e, quando começar a ser cobrada, será por um dos valores mais acessíveis do mercado, a 24 cêntimos/kWh. Daí que se tenham associado para criar a Ionity, concorrente dos Superchargers.

Depois de ter surgido em 2017, a Ionity continua abaixo das expectativas, com 202 estações em funcionamento em solo europeu, a oferecer um total de 1212 postos de carga, longe pois da rede da Tesla, com 500 estações e 4700 carregadores. E as diferenças continuam, pois se até aqui este consórcio europeu liderado pelas marcas alemãs cobrava as recargas exclusivamente a 8€ a utilização, fosse para recarregar 1 kWh ou 100 kWh, agora anunciou o novo tarifário, em que os valores cobrados chegam a aumentar 10 vezes. Tudo porque os custos deixam de ser taxados à visita ao posto, mas sim ao kWh fornecido, sendo este cobrado a 0,79€, um dos valores mais elevados do mercado.

Ao contrário da rede da Tesla, que é suportada apenas pela marca e exclusiva para os seus clientes, a Ionity é propriedade dos construtores que criaram o consórcio, mas está aberta ao público, com todos os modelos dos restantes fabricantes a ali poderem abastecer, mesmo os Tesla, desde que aceitem uma ligação CCS Combo, directamente ou através de adaptador. Para os utilizadores dos veículos cujas marcas integram o consórcio, o preço é mais barato, em alguns casos a cerca de 0,39€/kWh (Audi, por exemplo). Mas, ainda assim, é substancialmente superior aos dos Superchargers e até aos valores cobrados pela rede nacional de carga rápida.

Em Portugal, onde ainda não existe qualquer ponto de carga da Ionity, nem foi avançada qualquer data para a abertura do primeiro, cuja exploração está a cargo da Cepsa, um cliente de um veículo com uma bateria de 100 kWh pagaria até aqui 8€. Mas passará a ter de desembolsar 79€, valor que baixa para 71€ caso se trate de um Jaguar I-Pace (90 kWh), por exemplo. Já um Renault Zoe, um Peugeot e-208 ou um Opel Corsa-e, com cerca de 50 kWh, terão de pagar cerca de 40€. Mercê da bonificação por integrar o consórcio Ionity, um Audi e-tron pagará agora cerca de 39€, contra os anteriores 8€. Mas este mesmo veículo na rede nacional de postos de carga rápida, um que seja explorado pela EDP, por exemplo, pagará apenas 10,3€ para abastecer 90 kWh.