O triunfo frente ao Middlesbrough na repetição da terceira eliminatória da Taça de Inglaterra teve o condão de quebrar uma série sem triunfos do Tottenham mas, olhando apenas para a Premier League, o conjunto de José Mourinho somou no último sábado o quarto encontro consecutivo sem vitórias depois do nulo frente ao Watford, deixando os londrinos a oito pontos do quarto lugar que dá acesso à Liga dos Campeões (que passaram a ser nove, com o empate no dérbi entre Chelsea e Arsenal que abriu a 24.ª jornada). Faltam resultados, falta um avançado, falta uma dose de fortuna para evitar lesões e castigos dos elementos mais influentes mas não falta boa disposição ao técnico português que, além de negar um desentendimento com Danny Rose, falou de… Mbappé.

“Cavani é do PSG. Tenho uma boa relação com o senhor Nasser e com o senhor Leonardo que quero preservar e isso só se consegue se existir respeito. Portanto, não falo sobre os jogadores do PSG a menos que seja uma piada e, nesse caso, talvez nos possam emprestar o Mbappé”, atirou, numa altura em que o Tottenham continua à procura de um avançado mas com o uruguaio cada vez mais perto do Atl. Madrid (a título definitivo a troco de 15 milhões mais três de objetivos, acrescente-se). “Continuamos pobres em notícias dessas. Em primeiro lugar porque não compramos jogadores todos os dias; em segundo lugar, porque me recuso a falar de jogadores de outros clubes. Há técnicos que até ficam satisfeitos por isso, eu não!”, acrescentou, numa “alfinetada” em Conte que falou de forma pública na hipótese quase assegurada de Eriksen assinar a custo zero pelo Inter para a época 2020/21.

“Não houve qualquer problema com o Danny Rose”, salientou também, explicando o facto de não ter contado com o lateral esquerdo em Watford. “Não o chamei contra o Middlesbrough porque achei que era uma boa oportunidade para o Sessegnon jogar. O jogo era sábado e na noite de quinta-feira o departamento médico ligou-me a dizer que o Danny Rose afirmara estar com uma dor nas costas e não treinaria na sexta-feira. Afinal, acabou por treinar mas decidi apostar no Tanganga”, completou, antes de se mostrar despreocupado com a posição na tabela classificativa. “Descontando a questão do campeão, que está resolvida, e a posição confortável de Manchester City e Leicester, uma equipa que consiga duas vitórias seguidas dá um salto grande em frente e o inverso também se aplica. Por isso, todos os jogos têm significado nesta altura e estamos confiantes”, destacou.

Para esse regresso às vitórias, e numa fase em que os londrinos até se têm mostrado mais consistentes no plano defensivo, era necessário também que os avançados tivessem a palavra para disfarçarem a ausência de Harry Kane. E tiveram, com os dois “meninos queridos” do português que escreveram a boa entrada no clube: Dele Alli fez o 1-0 na primeira parte após assistência de Aurier (38′), o Norwich ainda empatou de grande penalidade pelo inevitável Pukki (70′) mas Son, a 11 minutos do final, confirmou a profecia de Mourinho quando disse que o sul-coreano iria regressar aos golos contra o último classificado e fez o 2-1 final que deu a primeira vitória na Premier League em 2020 na mesma noite em que o Manchester United foi surpreendido em casa pelo Burnley (2-0).

“É uma vitória muito importante para nós contra um adversário difícil. Sofremos na segunda parte e a culpa disso é toda nossa. Estamos numa situação em que tenho de pensar, pensar e pensar, olho para o banco e não tenho jogadores para o ataque. Tive de substituir o Erik Lamela devido a fadiga, mas mostrámos uma reação incrível para marcar o segundo golo. Quando o Chelsea quer vencer, coloca Batshuayi em campo. Quando o Manchester City quer vencer, Agüero e Gabriel Jesus entram em campo. Temos muito pouca sorte com as lesões. Conseguimos ter de volta Hugo Lloris e agora perdemos Harry Winks. É incrível…”, lamentou o técnico do Tottenham, no dia em que mais um nome foi colocado na órbita dos londrinos para reforçar o setor ofensivo: Willian José (Real Sociedad).

Ainda assim, nem isso quebrou a boa disposição do português que, percebendo que o jornalista que lhe estava a fazer a pergunta tinha estado em Portugal por causa de Bruno Fernandes, “interrompeu” a conferência para saber mais sobre o médio do Sporting. “Então, o Bruno Fernandes vem para o [Manchester] United ou não? Então vais a Lisboa para isso e agora não vem? Vem ou não? Vem… ok”, atirou entre sorrisos na sala e do próprio.