Depois de eliminar Rafa Nadal nos quartos, Dominic Thiem eliminou aquela que seria a principal ameaça a uma divisão equitativa no quadro final do Open da Austrália: de um lado ficou o presente que marcou o passado da última década com Novak Djokovic e Roger Federer, do outro ficou o futuro que marcará o futuro da próxima década com o austríaco e Alexander Zverev. No primeiro encontro das meias, o sérvio não deu hipóteses e voltou a mostrar que a coroa em Melbourne é sua. Agora, faltava saber quem era o “descendente” eleito para o desafio do encontro decisivo. Thiem, finalista nas duas últimas edições de Roland Garros, chegou-se à frente.

O primeiro set acabou por ser uma fotocópia daquilo que tinha acontecido na véspera com Novak Djokovic e Roger Federer: break, contra break e o austríaco a segurar depois o seu jogo de serviço com alguma dificuldade. Todavia, e depois de uma curtíssima interrupção devido à chuva – num dia onde se chegaram a sentir 40 graus na Austrália –, o alemão fechou o 2-2 (ganhava na paragem por 40-30) e arrancou nessa fase para o seu melhor momento no jogo, quebrando por duas vezes o serviço de Thiem para fechar o primeiro parcial com um 6-3. No segundo set, com mais breaks e contra breaks naquela que foi a sétima quebra de serviço, o austríaco conseguiu inverter a tendência mesmo depois do melhor ponto do jogo, num passing shot em smash do germânico (6-4).

Percebia-se que, no meio de um encontro atípico e que depois da chuva teve outra curta interrupção por causa de uma quebra em alguns holofotes da Rod Laver Arena, o terceiro set teria um peso grande na decisão da partida e o equilíbrio manteve-se até ao tie break (7-3), quando Thiem se revelou mais forte e passou para a frente do marcador, numa vantagem que seria determinante para o quarto e último parcial que confirmou mais uma vez (no tie break, 7-4) uma ideia que se tinha percebido no último ano: com ambos no topo das capacidades, Zverev representa um estilo mais explosivo, irreverente e de bolas impossíveis, enquanto o austríaco é o exemplo do atleta que prima pela consistência, pela resistência e pelo sangue frio nos momentos chave. Hoje, voltou a ganhar.

Aos 26 anos, Thiem, o mais velho entre os mais novos que nunca tinha passado da quarta ronda na Austrália, vai disputar a terceira final de Grand Slam. Se nos últimos dois anos chocou contra um Nadal em território sagrado de Roland Garros, agora não terá uma tarefa mais fácil frente a um Djokovic que venceu as sete finais disputadas em Melbourne. Ainda assim, o austríaco mostra sobretudo que está a ficar cada vez mais próximo dos “mosqueteiros” que dominam ainda o ténis mundial, depois de um percurso onde passou pelo serviço militar durante cerca de seis meses, fez treinos na floresta para superar algumas infeções e vírus que condicionavam a sua ascensão com Sepp Resnik, um conhecido atleta (e soldado) que participa em provas do Ironman, e teve como grandes referências no ténis Stefan Koubek e Jurgen – apesar de ter como adversário de sonho… Andre Agassi.

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