Poul Thomsen, o homem que liderou as missões do Fundo Monetário Internacional nos programas de assistência à Grécia e a Portugal, no seu início, vai reformar-se. O anúncio foi feito esta segunda-feira pela diretora-geral do FMI, Kristalina Goergieva. Thomsen é o diretor do departamento europeu do FMI e vai sair até ao final de julho.

Conhecido como o Mr. Blue Eyes (o Sr. dos Olhos Azuis) este dinamarquês esteve no Fundo Monetário Internacional durante 37 anos, numa carreira que passou por vários países europeus.

Os portugueses ficaram a conhecê-lo quando chegou a Portugal em maio de 2011 para participar na primeira conferência de imprensa conjunta dos membros da troika, que para além do FMI era composta pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu. O Fundo foi um dos financiadores do programa de resgate português depois da resistência inicial manifestada aos parceiros europeus.

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Thomsen deixou de ser chefe de missão do FMI em Portugal em 2012 para se dedicar em exclusivo ao programa grego que exigia um maior envolvimento dos credores, teve aliás mais do que um resgate financeiro.

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Thomsen foi nomeado diretor europeu do FMI em 2014 quando Christine Lagarde estava à frente da instituição.

“Poul trabalhou de perto com todos os 44 países europeus e desempenhou um papel particularmente importante a dar conselho político e orientação a muitos países na transição para uma economia de mercado, no seguimento da queda do Muro de Berlim”, sublinhou a diretora-geral do Fundo que também destaca a sua intervenção nos programas de assistência financeira a vários países europeus durante a crise na zona euro.

“O Poul é conhecido como um negociador determinado mas com princípios que teve sempre como objetivo o bem estar a longo prazo das pessoas nos países onde trabalhou”, acrescenta Kristalina Georgieva. No avaliação aos problemas estruturais da economia portuguesa, um dos temas que mais o preocuparam foi o elevado desemprego entre os jovens e a grande assimetria entre a proteção jurídica dos que estavam empregados e a falta de oportunidades para os que estavam desempregados.