A ministra da Cultura, Graça Fonseca disse, no domingo, que iria encaminhar para a Procuradoria-Geral da República o relatório da Direção-Geral do Património Cultura (DGPC), que concluiu existirem 94 obras de arte do Estado português desaparecidas, mas esta sexta-feira o Público acrescenta (link para assinantes) mais 18 a essas 94 e o resultado são 112 obras de arte desaparecidas.

A somar ao levantamento das 94 obras já anunciado pela ministra estão cerca de duas dezenas de fotografias que ninguém sabe onde estão, avança a publicação. As obras deviam estar à guarda do Centro Português de Fotografia (CPF) e não terão sido incluídas no relatório divulgado pela DGPC porque não fazem parte da Coleção de Arte do Estado de 1997 e sim da Coleção Nacional de Fotografia. No entanto, segundo o Público, serão os próprios serviços do Ministério da Cultura a ter dúvidas sobre a inclusão ou não das obras na Coleção de Arte do Estado.

As fotografias terão sido adquiridas por Jorge Calado, para a Coleção SEC, no final dos anos 80 e tratam-se de registos tão icónicos como ‘Nazaré’ — datada de 1958 —, de Carlos Afonso Dias ou Migrant Mother — de 1936 —, de Dorothea Lange.

Sobre estas duas obras, por exemplo, Bernardino Castro — atual diretor do CPF — disse ao Público que confirmou à DGPC que ambas foram restituídas “por Serralves no protocolo de transferência de 1997”. Sobre o rasto de Migrant Mother sabe-se ainda que terá sido “emprestada para uma exposição [em Lisboa] do Festival dos 100 Dias” que aconteceu em 1998, e o processo de averiguações sobre o seu desaparecimento só começou dois anos depois, na viragem do milénio.