Em dia de visita de Lionel Messi à terra sagrada de Diego Maradona, o outro jogo da noite de Liga dos Campeões entre Chelsea-Bayern não passava disso mesmo: o “outro”. Também por isso, entre dezenas de histórias em torno do Nápoles-Barcelona, as referências do regresso dos germânicos a Londres após a história goleada ao Tottenham na fase de grupos (7-2) não eram muitas. Bem espremido, resumiam-se apenas a duas.

Por um lado, o “Kepagate”. Depois de perder a titularidade na baliza para o veterano Willy Caballero (38 anos), o guarda-redes mais caro do mundo (80 milhões de euros) tinha esperança de poder regressar às opções iniciais até por ter em vista a possibilidade de lutar por uma vaga na seleção espanhola com David de Gea no Europeu mas Frank Lampard voltou a apostar no habitualmente suplente, prolongando um calvário que começou há quase um mês e que prometia não terminar assim tão cedo (spoiler alert: depois deste jogo, o caso pode mudar).

Por outro, o reencontro entre os finalistas da Liga dos Campeões de 2012, quando o Chelsea que tinha Lampard como grande referência conseguiu ganhar o único troféu na competição frente aos alemães, quebrando nas grandes penalidades aquilo que já começava a ser visto como uma espécie de maldição de Roman Abramovich, capaz de gastar o que fosse preciso (longe vão esses tempos) para conquistar a Champions.

Rolou a bola, jogaram-se 90 minutos, ficou sentenciada a eliminatória: com Gnabry a mostrar de novo pontaria afinada em Londres (depois do póquer ao Tottenham, marcou mais dois golos) e Lewandowski a picar o ponto como já é habitual num encontro onde além de igualar os 64 golos de Benzema na Champions ainda fez duas assistências, o rolo compressor do Bayern trouxe efeitos práticos no segundo tempo com um 3-0 que dá margem de manobra nula ao Chelsea para a segunda mão. Ainda assim, é de outro nome que se fala.

No final do encontro, os muitos adeptos do conjunto bávaro terminaram não só a prestar uma ovação de pé aos jogadores mas também a cantar o nome de Alphonso Davies, o jovem lateral esquerdo de 19 anos que deu nas vistas (entre outros pormenores) com uma fabulosa arrancada tipo Usain Bolt na esquerda antes de oferecer ao avançado polaco o terceiro golo que fechou as contas. Filho de pais que fugiram da Guerra Civil da Libéria, nascido num campo de refugiados do Gana, mudou-se para o Canadá com apenas cinco anos e foi aí que foi crescendo a jogar em academias de futebol até chegar ao Vancouver Whitecaps FC, onde deu nas vistas e foi contratado pelo Bayern na presente temporada. Desde o início da época, Alphonso, que representa a seleção canadiana, mostrou-se à Bundesliga e à Alemanha; esta noite, deixou um cartão de apresentação à Europa.