O papel do pai está a mudar e há cada vez mais bebés a usufruir dos cuidados do pai nos primeiros dias de vida. Mais de 92% dos pais que gozaram a licença obrigatória não prescindiram da opcional, um valor que tem vindo a crescer, escreve o Jornal de Notícias esta sexta-feira. Entre 2017 e 2019, os pedidos de licença parental facultativa feitos à Segurança Social aumentaram quase 12%. Especialistas garantem que parentalidade está a mudar e há mais envolvimento.

“Podemos inferir que estará em curso uma mudança cultural e institucional muito positiva. Os pais sentir-se-ão mais mobilizados para acompanhar e participar na vida dos seus filhos e da mãe, aquando do nascimento e sentir-se-ão mais seguros a fazê-lo nos seus contextos de trabalho”, defende Cristina Rocha, socióloga e professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), em declarações ao mesmo jornal.

Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, entre 2017 e 2019 o número de subsídios parentais obrigatórios exclusivos do pai cresceu sucessivamente, passando de 62.337 licenças para 67.689, um aumento acima dos 4%. Já os subsídios opcionais, que diziam respeito a 56.205 licenças em 2017, aumentaram para 62.810 em 2019.

O subsídio para a licença paternal exclusiva foi introduzido pela primeira vez pela Suécia, na década de 70. Desde então, mais de metade dos países da União Europeia adotaram o modelo.

Em Portugal, a nova lei da parentalidade entrou em vigor este ano e vem reforçar alguns direitos dos pais – o homem goza agora de 20 dias úteis, em vez de 15 dias, e passa a ter cinco opcionais, ao invés dos dez de que antes dispunha.