O primeiro alerta foi deixado pelo filho, Edinho, a meio de fevereiro. “Ele está muito frágil. Foi operado à anca, não fez a fisioterapia adequada, tem problemas de mobilidade e com isso ficou com uma espécie de depressão. Imaginem, ele é o Rei, foi sempre uma figura imponente, e agora não consegue andar normalmente”. Poucos dias depois, Pelé recusou esse cenário. “Tenho bons dias e outros não tão bons, é normal para pessoas da minha idade, mas sou determinado, tenho confiança em mim e nunca evito honrar os compromissos da minha agenda muito ocupada”, salientou. Mas foi a partir desse momento que o Rei passou a ter mais aparições públicas.

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Já depois de uma entrevista à CNN onde voltou a dizer que não sofre de qualquer depressão e que está bem de saúde (entre outros temas de fundo como o racismo ou a evolução do futebol), e ainda antes de saber da morte do irmão mais novo, Zoca – também ele antigo jogador da formação do Santos que acabou por nunca conseguir sair da sombra do avançado brasileiro e que faleceu na noite desta quarta-feira, como avançou a Folha de São Paulo –, Pelé teve uma conversa no canal de YouTube “Pilhado”, onde abordou vários temas, entre os quais a comparação da última década e meia no futebol mundial: quem é melhor entre Cristiano Ronaldo e Messi?

Em pouco mais de dois anos, o Rei mudou o seu “decreto”. Em janeiro de 2018, numa entrevista ao programa Esporte Espetacular, Pelé assumia-se pelo argentino. “Eu ficaria com o Messi porque fazer golos é importante, não tem aí nenhuma dúvida, mas se não tiver quem prepare, aí a bola não chega lá. Então, para a minha equipa eu preferia o Messi”, revelou, contando ainda que Diego Maradona terá ficado ciumento quando disse que o capitão do Barcelona era melhor do que ele. Agora, em março de 2020, Pelé vai pelo português. “Há algum tempo era fácil de apontar o melhor do mundo. Hoje acho que é o Cristiano Ronaldo. Está mais estável. Há dez anos que está bem, mas não nos podemos esquecer do Messi”, revelou. Mas com uma nuance importante na história.

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“Se eu sou melhor que Ronaldo e Messi? Já me fizeram essa pergunta várias vezes mas esquecem-se do Zico, do Ronaldinho Gaúcho… O pessoal fala sempre dos europeus como o Beckenbauer ou o Cruyff mas não tenho culpa. Acho que o Pelé foi melhor que todos os eles. Porquê? Porque todos me comparam com eles. Tenho de ser honesto, o meu pai e a minha mãe fecharam a fábrica. O meu pai uma vez marcou cinco golos de cabeça num jogo, foi o único recorde que não bati. Tenho três Mundiais… Talvez possa haver um príncipe mas Rei só há um. Pelé só vai ter um, não haverá outro igual”, frisou o antigo goleador brasileiro do Santos (com passagem nos dois últimos pelos Estados Unidos, no New York Cosmos) que marcou um total de 767 golos em jogos oficiais, marca que pode ainda ser alcançada por Cristiano Ronaldo e Lionel Messi a curto/médio prazo.

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No entanto, a opinião não é unânime entre grandes figuras do passado e, no mesmo dia, Hristo Stoichkov, antiga glória búlgara que se destacou sobretudo no Barcelona nos anos 90, revelou uma opinião contrária. “Fiz tantas entrevistas que dava para fazer um DVD mas jamais vou entrevistar o Cristiano Ronaldo. Não quero entrevistá-lo. Nas minhas entrevistas gosto de falar de futebol, não estou à procura de manchetes fáceis. Procuro conhecimento, ensinamentos… e com os melhores”, disse o ex-avançado numa entrevista ao Mundo Deportivo, acrescentando que “não haverá outro como Messi”, que mantém uma relação especial com o treinador português José Mourinho e que tem encontrado uma solução para fugir ao surto do novo coronavírus nos Estados Unidos, onde reside hoje: “Como muito alho, cebola, bebo água quente e tomo muitos banhos de água quente”.