A região italiana da Lombardia, a mais afetada em todo o país pela pandemia de Covid-19, decidiu passar a multar todas as pessoas que saiam à rua sem máscara ou equivalentes com o mesmo propósito, como cachecóis a tapar a boca e o nariz. A medida regional, anunciada este domingo pelo líder da Lombardia, Attilio Fontana, tem o objetivo de engrossar a travagem da propagação do vírus.

“As máscaras resolvem o problema a 100%, os cachecóis a 30-40%, mas mais vale isso que nada”, disse Fontana à rádio italiana Radio Padania. Por agora, a medida vai estar em vigor até dia 13 de abril, data até onde está previsto prolongar-se a quarentena nacional decretada pelo governo italiano, e prevê multas no valor de 400 euros. A Lombardia tem nesta altura mais de 49 mil casos confirmados de coronavírus e cerca de 8.600 vítimas mortais.

Nestes países europeus, usar máscaras de proteção tornou-se obrigatório

Tal como tem acontecido em Portugal, também em Itália se tem discutido a utilização de máscaras de forma generalizada, sem concordância entre as autoridades de saúde. No passado mês de março, a Organização Mundial de Saúde alertou para o facto de o uso de máscaras poder dar um falso sentimento de segurança a quem as usa e motivar o esquecimento de outros cuidados.

O líder da Proteção Civil italiana, Angelo Borrelli, disse no passado sábado que aconselha a utilização da máscara quando não é possível respeitar o metro e meio de distância recomendado em relação às outras pessoas — mas garantiu, a título pessoal, que não usa máscara e prefere procurar sempre a distância social recomendada.

Alemanha recua e admite que máscaras de proteção podem ajudar

As declarações cruzadas entre vários intervenientes levaram o autarca de Milão, a capital da região da Lombardia, a reconhecer que as decisão anunciada por Attilio Fontana é “um pouco confusa”. Numa mensagem deixada nas redes sociais, Giuseppe Sala recordou que a Proteção Civil não considera obrigatória a utilização de máscaras mas garantiu que vai respeitar as indicações do líder da Lombardia e aplicar as multas previstas.

De recordar que em países como República Checa, Áustria e Eslováquia — e também na cidade de Jena, na Alemanha — a utilização de máscaras tornou-se obrigatória, com nuances que variam de país para país. Todos partem do pressuposto de que é melhor ter algo a cobrir a cara do que nada e que é um esforço para reduzir a transmissão em massa. A principal questão que todos enumeram é a dos infetados assintomáticos, que podem contaminar outras pessoas, cuja proteção pode diminuir a probabilidade deste contágio comunitário.