O Sindicato da Hotelaria da Madeira alertou esta quarta-feira para o alegado “aproveitamento” do regime de ‘lay-off’ por parte de algumas empresas em prejuízo dos trabalhadores, quando a economia no arquipélago está paralisada devido às medidas de contenção da covid-19.

“Algumas [empresas] cumprem com a legislação, outras servem-se do ‘lay-off’ para imporem abusivamente o seu poder, como impondo férias sem pagarem o subsídio”, afirma, em comunicado de imprensa.

O Sindicado da Hotelaria, que inclui os setores da alimentação, serviços e similares, adverte também para a ocorrência de “rescisões de contratos de trabalho sem qualquer fundamento”, vincando que, por isso, vai intentar ações no Tribunal do Trabalho.

“Como se o que já referimos por si só não fosse grave, temos entidades patronais que não pagaram ainda o salário de março, bem como outras que pagaram o salário em prestações”, sublinha, indicando que foram já apresentadas queixas na Inspeção Regional do Trabalho.

O sindicato refere que “não basta aplicar multas” às entidades patronais e realça a importância de socorrer os trabalhadores neste momento de crise socioeconómica.

O Governo Regional da Madeira indicou, na semana passada, que cerca de 600 empresas já tinham recorrido ao ‘lay-off’, abrangendo mais de 7.000 trabalhadores, situação que motivou a criação de uma linha de crédito no valor de 100 milhões de euros para auxiliar os empresários no pagamento de salários.

O “grande Confinamento” levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial vai cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

No arquipélago da Madeira, as autoridades de saúde registaram na terça-feira mais duas pessoas infetadas com covid-19, elevando para 53 o número de casos positivos, dos quais dois já recuperaram.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou quase 127 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Em Portugal, morreram 599 pessoas das 18.091 registadas como infetadas.