O foco de infetados da Covid-19 que surgiu no bairro social Nova Cidade, freguesia de Câmara de Lobos, afeta 5% dos residentes daquela zona, sendo necessário transferi-los para sua proteção e dos restantes moradores, disse o presidente da câmara.

Em declarações à agência Lusa, o social-democrata Pedro Coelho salientou que, “neste caso em particular, tendo em conta que ali residem 600 pessoas, em 156 focos habitacionais, onde 5% da população está infetada, era prudente que tentar uma solução de maior confinamento dessa população”.

Isto porque alguns dos infetados “não estão em unidades hoteleiras, estão nas suas habitações”, afirmou.

Para o autarca, esse confinamento serve para melhor proteger as pessoas infetadas e os restantes residentes do bairro da Nova Cidade.

Aquele bairro teve inicialmente 16 infetados, mas atualmente já conta com 36, o que levou o Governo da Madeira decretar uma cerca sanitária à freguesia de Câmara de Lobos, que está em vigor desde as 00h de domingo e durante 15 dias.

“Tendo em conta a boa articulação com o Governo Regional, estamos a trabalhar numa solução que permita a deslocação no fundo dessas pessoas [infetadas] para um espaço mais confinado onde se possa fazer maior controle“, referiu o autarca, assegurando que a unidade é “dentro do concelho” de Câmara de Lobos”, sem revelar a sua localização.

Pedro Coelho considerou que a declaração do estado de calamidade na freguesia de Câmara de Lobos “é uma medida drástica, mas que foi acertada, tendo em conta que Câmara de Lobos é o concelho da região que mais casos tem de infetados com a Covid-19”, vincou.

O foco que surgiu no bairro social da Nova Cidade abrange uma família que tudo indica esteve reunida numa celebração pascal, tendo começado por ter 16 infetados.

Sobre o balanço do primeiro dia útil da vigência da cerca sanitária, o autarca de Câmara de Lobos reforçou que “foi a melhor opção” tomada pelo executivo madeirense e mereceu a “anuência” da Câmara Municipal.

Depois de tomada a decisão “houve umas arestas a limar sobre os limites de cerca sanitária, explicar à população a situação, porque o que está em causa é saúde de todos”, argumentou.

“Acredito que os câmara-lobenses têm seguido as orientações das forças segurança, da proteção civil regional e municipal”, disse.

Pedro Coelho apontou que os principais problemas que a vereação teve de lidar foram “sobretudo o esclarecimento aos munícipes” e “trabalhar no sentido de fazer o escoamento da produção agrícola da freguesia”.

Explicou que foram contactados os responsáveis das cadeias de supermercados e os pequenos comerciantes para evitar que os agricultores do Rancho e Caldeira, “zonas agrícolas por excelência, não percam as suas produções e consigam escoar os seus produtos”.

“Sobre os pescadores, gozaria de esclarecer que as pessoas de Câmara de Lobos são responsáveis e aqui ninguém fugiu para o mar”, declarou.

Pedro Coelho enfatizou que os pescadores da localidade se dedicam à pesca do peixe espada preto, o que os faz estar entre 10 e 15 dias no mar, tendo “saído antes de ser declarado o estado de calamidade”, pelo que “já estavam no mar quando a cerca foi criada”, reforçou, vincando que “só com a declaração da cerca sanitária é que a atividade da pesca ficou interdita”.

O presidente do município de Câmara de Lobos concluiu que a autarquia está a reforçar o apoio social e a proteção civil para ajudar os munícipes desta freguesia.

Portugal regista esta segunda-feira 735 mortos associados à Covid-19 em 20.863 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente a domingo, há mais 21 mortos (+2,9%) e mais 657 casos de infeção (+3,3%).

De acordo com o Iasaúde, a Madeira regista esta segunda-feira 85 casos, mais dois do que no domingo, que têm ligação ao foco de Câmara de Lobos.