O líder de um grupo comercial de grande dimensão e filantropo Rizwan Adatia foi raptado na quinta-feira na Matola, arredores de Maputo, capital de Moçambique, disse hoje à Lusa fonte policial.

O carro em que o empresário seguia foi encontrado abandonado e o rapto está a ser investigado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), referiu Orlando Mudumane, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM).

Rizwan Adatia é natural da cidade costeira indiana de Porbandar e lidera o grupo Cogef, sediado em Maputo, e que se apresenta como proprietário de 35 supermercados grossistas (cash & carry), 190 lojas, quatro unidades industriais e mais de 3.500 funcionários em nove países africanos.

O empresário criou uma fundação com o seu nome (Rizwan Adatia Foundation), organização sem fins lucrativos focada na redução de desigualdade na educação, saúde e desenvolvimento económico em comunidades da Ásia e África.

Uma das iniciativas da fundação em Moçambique consistiu na criação de um centro de formação vocacional para promover micronegócios, sediado na Matola, município onde Rizwan Adatia foi raptado.

A sua fundação apresenta-se como participante em 18 parcerias estratégicas que beneficiam 740.700 pessoas em África e na Ásia.

O último caso de rapto sob investigação das autoridades moçambicanas aconteceu em março, quando um menor de 12 anos foi levado por desconhecidos na baixa de Maputo.

A vítima é filho de um empresário da firma Armazéns África, especializada na venda de material elétrico, situada na mesma avenida em que o crime ocorreu. Imagens de videovigilância mostraram que os raptores perseguiram a criança, que seguia para a escola.

No mês de fevereiro, num outro caso, quatro desconhecidos sequestraram um empresário moçambicano, Manish Cantilal, ao estacionar na garagem da sua habitação: “de forma violenta” colocaram-no numa outra viatura, relatou a polícia, também com base em imagens de videovigilância.

Além destes, o empresário indiano Faizel Patel foi raptado em janeiro na cidade da Beira, centro do país. Não foram conhecidos mais desenvolvimentos sobre qualquer um destes casos.

O rapto de Rizwan Adatia é o quarto confirmado e sob investigação no país pelas autoridades moçambicanas em 2020.

No início de abril, a PRM deteve cinco pessoas suspeitas de envolvimento noutros crimes de sequestro anteriores nas províncias de Maputo e Inhambane.

Das cinco pessoas, três estão indiciadas pelo envolvimento no rapto de Chelton Lalgy, filho do dono da empresa de transportes Lalgy, levado em novembro de 2019, na cidade de Maputo, e libertado em fevereiro após o pagamento de um resgaste, anunciou a polícia.