A estratégia de Portugal para ultrapassar a crise económica provocada pela pandemia da Covid-19 passa por tornar o país um “poderoso ‘cluster’ da industrialização na Europa”, defendeu esta quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros em comissão parlamentar.

“O primeiro eixo [da estratégia portuguesa] é que Portugal quer estar na linha da frente da reindustrialização da Europa e quer pôr ao serviço da Europa as suas enormes capacidades em matéria industrial”, afirmou Augusto Santos Silva numa audição da comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação que decorre esta quarta-feira de manhã.

“Fala-se do têxtil e do vestuário, do calçado, mas também de engenharia, farmacêutica e agroalimentar. Portugal quer ser um fator de industrialização, um ‘cluster’ industrial poderoso na Europa da reindustrialização”, avançou o ministro.

Segundo Santos Silva, a crise económica provocada pelo confinamento e o encerramento das atividades económicas no âmbito da pandemia do novo coronavírus obrigou a “aprender algumas lições que poderão ser uma oportunidade para Portugal e Europa”. Uma dessas lições é que a economia europeia precisa de uma reindustrialização, o que, segundo Augusto Santos Silva, pode ser uma oportunidade para Portugal.

Portugal tem vantagens enormes do ponto de vista da segurança humana, implicando a qualidade dos seus sistemas de saúde, da segurança pública e das condições de vida e bem-estar e esse é um ativo essencial para o setor do turismo”, defendeu.

Além disso, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros, responsável pela internacionalização da economia portuguesa, o país tem ativos importantes que pode e deve usar: “a qualificação dos recursos humanos, o domínio plurilinguístico, a tecnologia, a qualidade do serviço e a qualidade do ecossistema de conhecimento e inovação, assim como as áreas em que [o país] é hoje dominante, a começar pela energia renovável”.

Por outro lado, “a dupla direção da estratégia ganhará ainda mais sentido”, referiu ainda, explicando que se dirige, ao mesmo tempo, ao mercado interno europeu – destino de três quartos das exportações portuguesas – e também ao mercado externo, com particular interesse em África e na América Latina.