É uma das mais esperadas vacinas contra o SARS-Cov-2 e as notícias que chegam da Universidade de Oxford continuam a ser promissoras. A equipa de investigadores do Instituto Jenner, que pertence àquela instituição universitária, publicou esta semana um artigo onde dá conta dos detalhes da sua investigação com macacos rhesus (macaca mulatta). Já se sabia que a experiência estava a correr bem, mas agora há novos detalhes: 14 dias depois de receberem a vacina os macacos infetados ganharam anticorpos contra o vírus. Para além disso, parece prevenir danos nos pulmões e impede a replicação do vírus.

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O artigo foi publicado no BioRxiv, um repositório de pré-impressão de acesso aberto, ou seja, ainda não passou pela revisão dos pares (peer review), essencial para a credibilidade científica. No entanto, mesmo antes de o documento ser partilhado e ser revisto, a equipa conseguiu luz verde para avançar com os ensaios clínicos e dar início aos testes em humanos exatamente por os testes com macacos estarem a ser positivos.

Por outro lado, há uma promessa de a vacina ter um preço acessível. “Não será uma vacina cara”, garantiu Adrian Hill, diretor do Instituto Jenner, durante uma entrevista à Reuters. “Será uma vacina de dose única. Será fabricado para fornecimento global e em vários locais diferentes. Sempre foi esse o nosso plano”, afirmou Hill que se uniu à farmacêutica AstraZeneca para desenvolver a vacina.

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Vacina previne danos nos pulmões

Para já, tudo indica que a vacina previne danos nos pulmões e impede a replicação do vírus. Estas são as conclusões que a equipa retirou do estudo em macacos rhesus — “aquilo que existe que é mais próximo dos humanos”, declarou Vincent Munster, o investigador que liderou a pesquisa, ao The New York Times.

Os testes foram feitos em nove macacos, divididos em dois grupos. Vinte e oito dias antes de os animais serem inoculados com o novo coronavírus, seis foram vacinados com a ChAdOx1 nCoV-19 (o nome provisório da potencial vacina) e os outros três com um placebo.

A dose da vacina administrada aos macacos corresponde a metade daquela que está a ser injetada em humanos. Em contrapartida, os animais foram expostos a uma elevada carga viral do novo coronavírus que, segundo se lê no documento, “não reflete aquela que será uma exposição realista do vírus em humanos”. Apesar disso, a vacina teve resultados.

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Ao fim de 14 dias da administração da vacina, todos os animais vacinados tinham anticorpos, enquanto que o grupo de controlo não tinha desenvolvido nenhuns. Sete dias depois de serem inoculados com o SARS-CoV-2 todos os animais foram eutanasiados e recolhidas amostras de tecido.

A carga viral detetada no tecido pulmonar dos animais vacinados era  significativamente reduzida em comparação com o grupo de controlo, “sugerindo que a vacinação impede a replicação do vírus no trato respiratório inferior”.

No entanto, a imunidade em macacos não equivale a imunidade em humanos e como o líder do departamento de vacinas da Agência Europeia de Medicamentos, Marco Cavaleri, disse, recentemente, em conferência de imprensa, “são muito poucas as vacinas que chegam até o processo final de licença e, em muitos casos se requer provas adicionais para confirmar que não provocam nenhum efeito colateral grave” em humanos.

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Num estudo clínico, a fase I refere-se ao uso do medicamento pela primeira vez num ser humano (saudável e sem a doença que está a ser estudada). Na fase II, estudam-se cerca de 100 a 300 indivíduos com diferentes dosagens.

Na fase III, acompanham-se milhares de pacientes por um período maior de tempo e o voluntário recebe ou o novo tratamento ou o placebo. Desta fase, devem sair todas as informações necessárias para a elaboração da bula do medicamento, podendo, a partir daqui, pedir-se aprovação para uso comercial.

Há ainda a fase IV, a farmacovigilância, que serve para recolher detalhes adicionais sobre a segurança e a eficácia do produto, como efeitos colaterais.