O poderoso ciclone Amphan, que deve passar a Baía de Bengala e tocar terra no final desta quarta-feira, provocou uma primeira morte no Bangladesh, um voluntário do Crescente Vermelho local, anunciou a organização.

Um barco da organização não governamental que estava a ajudar a retirar os moradores da cidade costeira de Kalapara capotou devido às rajadas de vento e foi atirado para o rio.

O voluntário “carregava um megafone pesado e usava botas e um blusão”, além de que “não sabia nadar”, disse o responsável do Crescente Vermelho no Bangladesh Nurul Islam Khan. O homem “afogou-se devido ao peso de seu equipamento”, acrescentou.

O ciclone Amphan, o mais poderoso em duas décadas que se está a formar na Baía de Bengala, atingirá esta quarta-feira a Índia e o Bangladesh, que temem danos consideráveis e já retiraram quase dois milhões de pessoas.

O Amphan deve chegar a terra por volta das 18h locais (13h30 em Lisboa), na fronteira entre Índia e Bangladesh, ao sul da cidade de Calcutá, com ventos de até 185 quilómetros por hora (km / h). Os meteorologistas temem uma tempestade com ondas até cinco metros de altura e a possibilidade de maremotos.

O Bangladesh abrigou 1.5 milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras baixas. No lado indiano, mais de 300 mil pessoas foram retiradas no estado de Bengala Ocidental (leste) e 20 mil na região vizinha de Odisha.

Pelo menos 50 pessoas refugiaram-se em minha casa, que é de cimento. Chegaram ontem à noite. Nós demos-lhes comida. Há uma atmosfera de pânico”, disse à Agência France Presse (AFP) Abdur Rahim, um criador de camarão da vila de Kalinchi, no Bangladesh. “As mulheres estão muito preocupadas. Rezam a Deus para que poupe os aldeões. Chove desde esta manhã, mas ainda não há sinal de ventos fortes”, disse.

O Amphan foi classificado na segunda-feira como de categoria 4 (em 5) na escala Saffir-Simpson, com ventos entre 200 e 240 km/h, e é o ciclone mais poderoso a formar-se no Golfo de Bengala desde 1999. Naquele ano, um ciclone matou 10 mil pessoas em Odisha. Apesar da perda de energia do ciclone à medida que se aproxima da costa, as autoridades indianas e do Bangladesh esperam muitos danos materiais.

É uma velocidade devastadora de vento e pode causar destruição em larga escala. Pode arrancar árvores e danificar muito as infraestruturas”, disse o diretor geral do departamento de meteorologia da Índia, Mrutyunjay Mohapatra.

Os países da região aprenderam as lições dos devastadores ciclones das décadas anteriores: construíram milhares de abrigos para a população nos últimos anos e desenvolveram políticas para evacuação rápida.

No entanto, a tarefa das autoridades é mais complicada desta vez por causa da pandemia de Covid-19, tendo em conta que o deslocamento de populações pode promover a disseminação do vírus. O confinamento geral está em vigor na Índia e no Bangladesh desde o final de março.

O Bangladesh abriu mais de 13 mil abrigos anticiclone, quase três vezes o número usual, para que fiquem menos carregados de gente. Tanto na Índia como no Bangladesh, as autoridades pediram à população deslocada que use máscaras em ambientes fechados.

Dissemos às pessoas para manterem distância física nos abrigos por causa do coronavírus”, disse Shah Kamal, chefe da autoridade de gestão de desastres do Bangladesh.

A frequência e a intensidade dos ciclones aumentaram nos últimos anos na Baía de Bengala, um fenómeno parcialmente atribuído ao aquecimento global, mas a perda de vidas é menor do que no passado, graças a um sistema de monitorização mais desenvolvido e a uma série de medidas preventivas bem testadas.