O grupo “jihadista” Estado Islâmico (EI) amaldiçoou quinta-feira à noite o novo primeiro-ministro iraquiano, que classificou como “agente dos Estados Unidos”, e criticou o encerramento da mesquita de Meca, na Arábia Saudita, medida para travar a propagação da pandemia.

Numa mensagem áudio, aparentemente lida pelo porta-voz do grupo Abu Hamza al-Qurayshi, é questionada a razão que levou ao encerramento de várias mesquitas, entre elas a da cidade saudita de Meca, o que tem inviabilizado as orações no mundo islâmico. O EI considera que os muçulmanos são imunes ao novo coronavírus.

O surto da Covid-19 perturbou a atividade do grupo “jihadista” no Médio Oriente, depois de a Arábia Saudita ter proibido as peregrinações a Meca. Noutros países do Médio Oriente, as orações tradicionais de sexta-feira foram também suspensas para limitar a propagação do vírus.

O novo primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al-Kadhimi, um antigo chefe dos serviços secretos apoiado por Washington, foi empossado este mês depois de ter participado durante vários anos na guerra contra os “jihadistas”, que foi declarado inexistente ou extinto no Iraque em 2017.

Para o EI, al-Kadhimi “mantém a espada dos serviços secretos apontada à cabeça dos muçulmanos”, pelo que voltou a apelar aos membros do grupo “jihadista” para manterem os ataques diários na Síria, Iraque e noutros países.

Nas últimas semanas, os extremistas aproveitaram-se da pandemia para lançar vários ataques mortíferos nas suas antigas autoproclamadas zonas de um califado, nomeadamente na Síria e no Iraque.

Na quarta-feira, o EI atacou um edifício governamental no norte da Síria, que provocou a morte a oito soldados. Como resposta, foram efetuados ataques aéreos russos que, segundo ativistas da posição, abateram 11 ‘jihadistas’.

Um dia depois, três membros das Forças Democráticas da Síria, apoiadas pelos Estados Unidos e lideradas por curdos, foram encontrados com os pescoços cortados na província de Deir el-Zour, próximo da fronteira iraquiana, onde células do EI têm estado ativas, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Após a morte do líder do movimento “jihadista” Abu Bakr al-Baghdadi, num ataque das tropas norte-americanas no noroeste da Síria, em outubro de 2019, o EI escolheu Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurayshi como sucessor ainda no mesmo mês. O novo porta-voz, Abu Hamza al-Qurayshi, substituiu Abu al-Hassan al-Muhajer, que foi abatido no mesmo mês. Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurayshi não divulgou qualquer mensagem áudio desde que assumiu a liderança do EI.

O áudio divulgado na noite de quinta-feira aparenta ser o terceiro divulgado pelo porta-voz do EI desde que ocupou o cargo.

Em janeiro deste ano, Abu Hamza al-Qurayshi indicou que os “jihadistas” iriam começar uma nova fase de ataques com o foco em Israel e, mais tarde, amaldiçoou também o plano da administração norte-americana para resolver o conflito israelo-palestiniano.