Metade das famílias portuguesas só têm poupanças para um máximo de cinco meses de despesas básicas, de acordo com um estudo do think thank europeu Bruegel citado esta terça-feira pelo Jornal de Negócios. Nestas despesas incluem-se apenas consumos fundamentais como a renda da casa e as contas da luz, água e gás.

Segundo o estudo, a fragilidade financeira doméstica é transversal à União Europeia, onde um terço das famílias não estão preparadas “para reagir a choques inesperados, quanto mais numa pandemia”.

Esta fragilidade das poupanças das famílias europeias deverá agravar-se com os fortes impactos económicos da pandemia da Covid-19, designadamente devido ao lay-off (redução de rendimentos), à subida do desemprego e ao aumento do trabalho precário.

A análise feita pelo think-thank europeu tem em conta indicadores como os níveis de poupança e de endividamento, mas também fatores relacionados com a capacidade de reação a choques financeiros.

Os números do Portugal que já parou. Trabalhadores em lay-off, em casa com os filhos ou de baixa

Embora as fracas poupanças sejam uma constante por toda a Europa, há países com maior capacidade de resistir aos choques. É o caso de Malta e da Áustria, os dois países europeus com maior robustez — ali as famílias aguentam em média 15 meses de despesas básicas com as suas poupanças.

Luxemburgo, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha e França também surgem à frente de Portugal na tabela. Atrás de Portugal surgem os países mais pobres da UE e os mais duramente afetados pela crise de 2008, como a Grécia.

Outro indicador preocupante é a percentagem de um salário que os 25% de famílias mais pobres do país têm guardado de parte. Em Portugal, essa percentagem da população tem cerca de metade de um mês de rendimento guardado, enquanto em países como Holanda, Áustria e Malta as famílias mais pobres têm, pelo menos, um salário inteiro de parte.