A Mina do Barroso, onde a Savannah pretende extrair lítio, poderá contribuir “com 1.212 milhões de euros” para as exportações nacionais durante os 12 anos de concessão, segundo um relatório dos impactes socioeconómicos divulgado esta segunda-feira pela empresa.

O projeto previsto pela Savannah Lithium Lda., empresa subsidiária da Savannah Resources Plc., para o concelho de Boticas, no distrito de Vila Real, está a ser contestado pela autarquia e população local que criou a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) para lutar contra a mina.

O relatório elaborado pela Universidade do Minho e divulgado hoje pela empresa prevê que a produção de concentrado de espodumena (de onde será extraído lítio) “poderá contribuir com 110,2 milhões de euros em média, para as exportações nacionais, todos os anos, contabilizando 1.212 milhões de euros ao final dos 12 anos de concessão” da Mina do Barroso.

O estudo prevê “que 86% da produção seja destinada à exportação” e refere que este volume “representa 20,1% do valor médio anual das exportações portuguesas de minérios metálicos e de outros produtos das indústrias extrativas, dos últimos quinze anos”.

O relatório aponta ainda para a “criação de cerca de 500 os postos de trabalho diretos” , “300 durante a fase de construção e 215 na fase de operação”. “Estima-se que o efeito multiplicador na riqueza gerada da região, ao longo da vida do projeto, possa resultar em 1.300 postos de trabalho indiretos no decorrer dos 12 anos da sua vida útil”, é ainda salientado no comunicado.

Para David Archer, CEO (diretor executivo) da Savannah, “o relatório elaborado pelos professores João Cerejeira e Francisco Carballo-Cruz, da Universidade do Minho, ajuda a trazer esclarecimentos sobre os muitos potenciais benefícios positivos da Mina do Barroso”.

“Um dado importante é o impulso que dá à ambição portuguesa e europeia da neutralidade carbónica. Estimula o desenvolvimento de outras fases da cadeia de valor das baterias, nomeadamente a conversão do mineral em carbonato de lítio e em hidróxido de lítio, com a criação de uma refinaria local e, inclusivamente, a prazo, ao fabrico de baterias, e consequentemente à geração de valor acrescentado nacional. É uma oportunidade para a região e para o país”, afirmou o responsável.

A empresa disse ainda que “alinhado com a estratégia do Governo português e com a visão estratégica para o plano de recuperação económica de Portugal, a Mina do Barroso será uma clara mais valia para o país na fase pós covid-19”.

As previsões da equipa de professores que elaborou o relatório apontam para que o projeto “dê origem a um aumento do valor bruto da produção nacional de 168 milhões de euros na fase de investimento, e em cerca de 90 milhões de euros, por ano, na fase de operação”.

Prevê-se ainda que o contributo do projeto “para a formação do PIB é de 65 milhões de euros na fase de investimento, e de quase 34 milhões de euros, por ano, na fase de operação”.

De acordo com a Savannah, o investimento total no projeto é de cerca de 110 milhões de euros.

A empresa anunciou em junho que submeteu à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e o Plano de Lavra para o projeto de exploração de lítio na Mina do Barroso.

Após o período preliminar de apreciação da conformidade por parte da APA, os documentos entram em consulta pública para discussão por todas as partes interessadas.

A Mina do Barroso é um projeto da Savannah Lithium Lda., empresa subsidiária da Savannah Resources Plc., uma sociedade cotada na bolsa de valores de Londres AIM (London Stock Exchange) focada na prospeção e desenvolvimento de ativos mineiros em vários países do mundo.