Aviões de guerra das forças armadas da China entraram esta quinta-feira no espaço aéreo de Taiwan, segundo o ministério da defesa, no dia em que um alto funcionário norte-americano aterrou no território apesar dos protestos de Pequim.

O avião de ataque anti-submarino PLA Y-8 entrou esta madrugada brevemente no lado sudoeste da zona de identificação de defesa aérea da ilha e foi advertido pela força aérea de Taiwan, segundo o ministério da Defesa de Taiwan.

Uma série de aviões de guerra do PLA voou para o sudoeste de Taiwan nos últimos dias, no que a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, descreveu como “graves provocações”, que aumentam as tensões no Estreito de Taiwan e afetam a paz e a estabilidade regionais.

A última incursão – antes da visita do vice-secretário de Estado dos EUA, Keith Krach, – visa servir como um alerta para os EUA e Taiwan, consideram analistas.

Krach chega esta quinta-feira a Taipé, para a visita de mais alto nível pelo Departamento de Estado norte-americano a Taiwan. Krach tem um encontro marcado com a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, e outras autoridades importantes da ilha, segundo o ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan. A aproximação a Taipé é altamente sensível para Pequim.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. Mas a China considera Taiwan como território sob a sua soberania e opõe-se a qualquer tipo de interação oficial entre outros países e a ilha.

Pequim já advertiu os EUA contra o envio de Krach à ilha. Na segunda-feira, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, exortou os EUA a “interromperem todas as formas de intercâmbio oficial com Taiwan”, para evitarem sérios danos nas relações China – EUA.

Em agosto passado, o secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, tornou-se o até então mais alto funcionário do Governo norte-americano a deslocar-se a Taiwan, desde que os dois lados romperam os laços formais, em 1979, quando os EUA aceitaram a “política de uma só China”, que pressupõe que Pequim é o único governo legitimo de todos os territórios chineses.