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O ministro dos Negócios Estrangeiros defende que nas eleições presidenciais os extremismos não devem ser combatidos com extremismos e deixou claro que espera “pessoalmente” uma recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Augusto Santos Silva elencou na noite desta terça-feira os quatro critérios pelos quais considera que se deve guiar o PS para escolher o seu candidato.

A posição do PS deve ser definida em função de quatro princípios: o primeiro, qual a avaliação do mandato do atual Presidente da República e a avaliação esmagadora dentro do PS e dentro do eleitorado português é que esse mandato foi muito positivo. E foi muito importante o equilíbrio entre maioria na Assembleia da República (Governo) e Presidente da República para que o país tivesse estabilidade e reconhecimento externo”, disse.

O segundo critério defendido por Santos Silva, em entrevista à TVI, é o entendimento que Marcelo Rebelo de Sousa, se vier a ser candidato, “tem do segundo mandato presidencial”: “O Presidente Marcelo inovou muito no primeiro mandato — e bem, na minha opinião. E espero que também inove na interpretação do segundo”.

Já o terceiro critério é: “Qual o entendimento que o candidato Marcelo, se vier a sê-lo, e eu espero pessoalmente que seja, tem da projeção do Presidente da República como um garante — que o é — do espaço democrático e da vida institucional democrática em Portugal. Já houve muitos anos em que não pusemos essa questão, mas hoje há quem queira por em causa essa questão [democracia], quem queira aproveitar-se das eleições presidenciais para dar projeção a essas conceções antidemocráticas”.

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E, para combater Ventura, cujo nome o ministro não referiu diretamente, não deverá ser com uma outra proposta extremista, disse, deixando no ar uma mensagem à socialista Ana Gomes.

Na minha opinião não devemos combater extremismos com outros extremismos, polarizações com outras polarizações. Gostaria que o combate contra os extremismos fosse feito pelo grande arco daqueles que são moderados”.

Sobre o último critério, referiu apenas a necessidade de a escolha do candidato ir ao encontro do eleitorado do PS.

Questionado diretamente sobre se preferia Marcelo a Ana Gomes, Santos Silva salientou que verá “com muita atenção a plataforma programática da candidatura” de Marcelo Rebelo de Sousa. E acrescentou que na sua opinião Ana Gomes não deverá ser a candidata do PS, ainda que saliente a importância da sua candidatura: “Se Ana Gomes é uma boa candidata? Na minha opinião, sim. Se Ana Gomes é uma boa candidata para ter o apoio do PS? Na minha opinião, não”.

Confiante quanto à aprovação do Orçamento

Santos Silva disse ainda estar confiante quanto à aprovação do Orçamento: “Acredito que há todas as condições para que a aprovação do OE ocorra […] Creio que que há condições, mas há também a necessidade de o país manter esta vantagem que é a estabilidade.”

E reforçou aquilo que tem sido a posição do executivo, a de que Portugal conseguiu passar esta fase da pandemia com “um reforço da SNS, da Educação, do investimento e da proteção social”. “Todos nós temos noção da dimensão da crise e da necessidade da estabilidade”, concluiu.

E lembrou que estas presidenciais serão diferentes e mais curtas: “É evidente para todos os que acompanham a vida política que não será uma campanha longa. As pessoas conhecem os candidatos. Estou mais focado nas eleições nos Açores”.

Palavras do embaixador dos EUA é um assunto ultrapassado

Sobre a polémica em torno do aviso deixado pelo embaixador norte-americano em Lisboa, de que Portugal teria de escolher entre aliados, como os EUA, e o parceiro económico China, Santos Silva limitou-se a dizer que o assunto está já ultrapassado: “É uma circunstância completamente ultrapassada, ainda hoje falei com o embaixador norte-americano sobre outros assuntos, teremos em breve a visita de um alto representante da administração norte-americana. Trabalhamos como os aliados trabalham”.

Questionado sobre a possível reeleição de Donald Trump, o ministro disse apenas que isso significaria “a continuidade”, lembrando, por exemplo, que “hoje as coisas estão mais bem esclarecidas quanto à NATO“.