A notícia é interpretada com alguma estranheza, face à sensação quase universal e globalizada de que os clubes de futebol estariam mais contidos neste mercado de transferências face à pandemia e às perdas durante o tempo em que as competições estiveram interrompidas. Ainda assim, a verdade é que o Benfica foi o sexto clube europeu que mais dinheiro gastou neste verão, apenas abaixo de Chelsea, Manchester City, Barcelona, Juventus e Leeds. Com nove contratações, incluindo a maior de sempre, os encarnados investiram 98,5 milhões, um aumento de 55% face aos 63,5 da temporada passada.

Números que são positivos, na ótica da atual direção, mas que mereceram algumas críticas, por parte da oposição a Luís Filipe Vieira. Uma oposição que, mais do que com as entradas, mostrou-se preocupada com as saídas: principalmente as de Rúben Dias, para o Manchester City, e do jovem Tiago Dantas, emprestado ao Bayern Munique. Neste seguimento, a liderança encarnada decidiu apresentar algumas explicações num comunicado no site do clube, em jeito de balanço final do mercado de transferências.

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“Fechada a janela de transferências, constata-se que o Benfica encetou um elevado investimento com vista a atingir os objetivos a que se propõe na temporada. O regresso da equipa técnica liderada por Jorge Jesus, marcada pelo sucesso na passagem anterior, e a contratação de vários jogadores internacionais pelos seus países, acrescentam, inegavelmente, talento e competência ao nosso plantel”, começa por dizer a nota publicada esta quarta-feira, destacando depois que chegaram ao plantel os “internacionais A Darwin, Everton, Otamendi, Vertonghen e Waldschmidt” e também “Diogo Gonçalves, Gilberto, Gonçalo Ramos, Helton Leite, Pedrinho e Todibo”. “O Benfica, de acordo com um estudo publicado hoje, foi o sexto clube que mais investiu neste defeso, algo que só é possível devido à solidez financeira da SAD benfiquista”, sublinha o comunicado, que se dedica em seguida ao setor das vendas.

“Entre os mais utilizados em 2019/20, saíram Rúben Dias, Tomás Tavares e Vinícius. No caso particular de Rúben Dias, há que referir a oportunidade de equilibrar as contas, dado o montante envolvido na transação”, garante a comunicação, que detalha depois o negócio que levou o internacional português para o Manchester City. “A alienação do passe de Rúben Dias por 68 milhões de euros (a que poderão acrescentar 3,6 milhões de euros mediante o cumprimento de objetivos do Manchester City) tratou-se da quarta transferência mais elevada neste defeso, a quinta maior de sempre no que respeita a defesas, e sobretudo alcançou um valor justo face à qualidade de um destacado atleta formado no Clube”, pode ler-se.

Quanto ao empréstimo de jovens jogadores da formação, como David Tavares, Florentino, Jota, Pedro Álvaro, Tiago Dantas e Tomás Tavares, o Benfica explica que fazem parte de uma “política de valorização desportiva com vista à reintegração no plantel”, acrescentando que a cedência de Carlos Vinícius ao Tottenham teve “contornos semelhantes à que resultou na transferência de Jiménez para o Wolverhampton”. “É inegável que o nosso plantel ficou mais forte após este defeso, numa temporada em que a nossa equipa trabalha arduamente para tentar conquistar todas as competições nacionais e chegar o mais longe possível na Liga Europa”, conclui o clube da Luz.