A Associação Nacional de Espaços Infantis e Recreativos (ANEIR) lamentou esta quinta-feira as declarações da diretora-geral da Saúde sobre a utilização de parques infantis, afirmando não compreender o “parecer negativo”.

Numa carta aberta dirigida a Graça Freitas, a associação disse ter assistido com “enorme estupefação” a declarações feitas na quarta-feira pela diretora-geral sobre estes espaços, sublinhando que a posição da Direção-Geral da Saúde (DGS) está “a destruir um setor”.

Não compreendemos que dê um parecer negativo para a abertura desta atividade, menos ainda que não reconsidere a sua decisão”, lamentaram.

Na quarta-feira, a diretora-geral da Saúde desaconselhou a utilização de parques infantis, considerando que encerra “riscos acrescidos” uma vez que estes equipamentos “nem sempre são devidamente higienizados entre utilizações”. Questionada sobre o porquê de os parques infantis se manterem fechados, durante a habitual conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica em Portugal, Graça Freitas defendeu que a sua utilização é um risco desnecessário, desde logo porque “[as crianças] podem divertir-se ao ar livre em outros espaços em segurança”.

Os parques infantis privados estão encerrados desde março, quando a pandemia da Covid-19 obrigou à implementação de um conjunto de medidas restritivas para conter a propagação do novo coronavírus, e ainda não receber luz verde da autoridade de saúde nacional para reabrir.

A ANEIR lamentou que a DGS mantivesse esta posição sem ouvir o setor, apesar dos pedidos de reunião, e consideram que Graça Freitas parece não estar “a par de tudo o que diz respeito aos parques infantis”. Esse desconhecimento, esclarecem, vai desde a designação dos parques, e a distinção entre os equipamentos públicos e privados, à disponibilidade de espaços ao ar livre.

“[Os parques públicos] encontram-se disponíveis para livre utilização, sem vigilância ou cuidados específicos, enquanto os segundos [os privados] dispõem de trabalhadores alocados, capacidade de implementação de regras, de cuidados de higiene, de controlo de entradas”, escreve a ANEIR, acrescentando que muitos espaços ao ar livre, como os parques em Monsanto, em Lisboa, também se encontram encerrados.

“Será que as crianças estão mais seguras em parques não vedados, próximos de estradas, vigilância deficitária e abertos durante a noite e dia? Qual é o critério?”, questionam.

A associação invoca ainda o direito das crianças a brincar e apela a uma coerência por parte das autoridades de saúde, referindo que “parques infantis fechados a cadeado coabitam com mesas de jardim de confraternização da população mais velha”.

Ao longo deste período de desconfinamento fomos assistindo à autorização da DGS para a abertura das piscinas de escorregas aquáticos, atividades de animação infantil itinerante (carrosséis, insufláveis), estúdios de artes marciais, jogos de futebol… Gostaríamos de compreender quais os critérios para autorizar uns e não autorizar outros?, acrescentam.

Portugal voltou esta quinta-feira a ultrapassar a barreira das 1.000 infeções diárias por covid-19, atingindo 1.278 casos, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). Desde o início da pandemia, em março, este é o segundo maior número de casos de infeção. O maior foi em 10 de abril com 1.516. Os dados de esta quinta-feira revelam ainda que nas últimas 24 horas se registaram 10 mortes relacionadas com a Covid-19.