O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Guiné-Bissau, Abel da Silva, disse esta quarta-feira à Lusa que o Governo vai abrir “um regime especial” de cinco anos no respeito da moratória que proíbe o corte de árvores no país. Se o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, aprovar um decreto proposto pelo executivo, os madeireiros que operam na floresta guineense poderão voltar abater árvores, que não podiam fazer desde 2015.

Na ocasião, o Governo de então aprovou uma moratória de cinco anos na qual ficou proibido o abate de qualquer árvore que é transformada em madeira, devido à pressão que se verificou sobre a floresta guineense entre 2012 a 2014.

Dados do Governo, mas várias vezes negados pelas ONG, apontam que, naquele período, cerca de 900 mil metros cúbicos da floresta guineense foram abatidos por madeireiros. O ministro da Agricultura, que tutela a floresta guineense, disse que, mesmo com a observância da moratória, que expirou no mês de abril passado, a exploração clandestina de árvores não parou.

Para contornar a situação e ainda atender a pressão da indústria madeireira local, nomeadamente as carpintarias e as serrações, o Governo “vai ter que mandar abrir“, observou Abel da Silva. “O período da moratória terminou em abril e é preciso fazer algo”, disse o governante, salientando que, do levantamento feito, chegou-se à conclusão que é possível autorizar o abate de árvores, “mas com regras”.

No documento a ser promulgado pelo Presidente guineense, serão fixadas quotas para cada espécie a ser abatida e serão especificadas as 14 espécies de árvores na Guiné-Bissau ameaçadas, disse Abel da Silva. No entanto, desse grupo, o Governo vai permitir o corte de Pau Sangue e de Pau de Carvão, duas das espécies de árvores florestais mais procuradas na floresta guineense, adiantou o ministro.

O conselho de ministros concordou que se permitisse a exploração dessas duas espécies mas apenas para o consumo interno”.

O Pau de Sangue é usado na construção de mobiliário em madeira, enquanto Pau de Carvão é utilizado para produção de carvão que é usado na cozinha por muitos guineenses. O Governo “não pode impedir aos cidadãos terem acesso a esses recursos naturais”, sublinhou o ministro da Agricultura, “até porque”, frisou, “isso poderia aumentar a exploração clandestina” das duas espécies,.

Em resumo, Abel da Silva explicou que o que ficou decidido pelo Conselho de Ministros vai no sentido de “adotar um regime especial perante a moratória: explorar sim, mas sem serem as espécies ameaçadas”. O Governo guineense ainda decidiu autorizar a exportação da madeira desde que seja transformada em viga, plaquetas e tábuas e impedir a saída de toros, pranchas e sachos.