Diogo Jota marcou dois golos e assistiu para outro, Bernardo Silva abriu o marcador, Bruno Fernandes fez uma grande exibição, William Carvalho esteve em primeiro plano, Danilo foi preponderante na transição defensiva, Pepe foi praticamente perfeito na defesa. Num exercício rápido de memória, o resumo da exibição portuguesa esta quarta-feira contra a Suécia parece ser este. Falta, porém, um nome: o de Rui Patrício.

Fernando Santos pôs um Jota a fazer de CR e o alfabeto continuou completo (a crónica do Portugal-Suécia)

Em mais um regresso a Alvalade, o guarda-redes do Wolverhampton fez várias defesas que mantiveram a baliza portuguesa intransponível durante mais um jogo — Portugal não sofre golos há quatro partidas, o último foi com a Croácia — e acabou por ser um dos elementos mais importantes da Seleção Nacional contra a Suécia. E esta quarta-feira, Rui Patrício até celebrava um dia especial, por realizar a 90.ª internacionalização e engrossar ainda mais o facto de ser o guarda-redes mais internacional por Portugal, acima das 80 presenças de Vítor Baía, e o 9.º jogador com mais jogos pela seleção portuguesa. Ou seja, tem mais presenças do que nomes como Ricardo Carvalho e Pauleta e está perto de atingir os registos de Rui Costa e Bruno Alves.

E na flash interview, já após o final da partida, Fernando Santos não esqueceu as intervenções de Rui Patrício — embora tenha recordado que o guarda-redes “está lá para isso”, com o pragmatismo habitual. “Portugal venceu bem perante um adversário complicado com futebol distinto. Equipa muito forte, também fisicamente. Lutam muito, tentam chegar primeiro. São agressivos, com futebol direto e esticam muito o jogo. Muitas vezes tiveram quatro avançados e dois médios a chegar. Contra uma equipa que quer ter bola torna-se difícil. Estivemos muito bem organizados, ofensivamente com velocidade e criatividade. A partir dos 25 minutos tivemos algumas dificuldades e a não ganhar segundas bolas. Muito mérito da Suécia, fomos perdendo capacidade de condução e de os obrigar a ficar atrás. Na segunda parte o jogo foi-se abaixo, o que é normal. Portugal a querer ter bola, o nível físico começou a baixar. Foram muitos jogos em poucos dias e incidências que não nos permitiram treinar normalmente”, explicou o selecionador nacional, que recordou depois que esta não foi a primeira vez que a Seleção jogou sem Ronaldo.

“Portugal já o tinha feito várias vezes. Sem ele não somos melhores. Mas a equipa tem capacidade, qualidade e estratégia para jogar contra qualquer adversário”, disse Fernando Santos. Já no que toca à Liga das Nações, o treinador reconheceu que a “luta é a dois”, com França, pela vaga de apuramento do Grupo 3. “O próximo jogo, quem ganhar, é uma final, mas pode ficar tudo em aberto. Vai ser um grande jogo. Espero que nessa altura [novembro] a equipa esteja bem”, atirou, voltando a recuperar a ideia de que Portugal é candidato a ganhar qualquer competição em que esteja. “Portugal apresentou-se como candidato no Euro e venceu. Na Liga das Nações também. No Mundial não correu como esperávamos por várias razões. Se tivéssemos passado o Uruguai tinha sido diferente. Mas Portugal é candidato a ganhar cada prova em que entra”, terminou Fernando Santos.

Já na conferência de imprensa, o selecionador voltou a referir que tem dúvidas de que tenha existido contágio ativo na concentração da Seleção. “Eu acho que aquilo que fizemos na Seleção fizémo-lo bem e eu continuo a ter muita dúvida sobre se houve algum contágio dentro da Seleção, tenho muita dúvida. A ter havido um contágio, teria sido muito forte. Os jogadores têm mantido o distanciamento, à exceção, e não foi uma exceção porque foi ao ar livre, daquele jantar que fizeram mas os jogadores estavam com máscaras, depois retiraram para tirar a fotografia, mas de resto a equipa teve sempre na realidade essa preocupação. Os dois primeiros contágios vieram de fora e se não entraram é porque de facto as coisas estavam bem montadas, acho eu. Vamos continuar a esperar que seja assim”, garantiu Fernando Santos, em comentário aos casos positivos de José Fonte, Anthony Lopes e Cristiano Ronaldo.

Com esta vitória, Portugal mantém-se invicto em todo o historial na Liga das Nações (só a Geórgia, que está na Liga C, partilha esse feito). Os três pontos conquistados contra a Suécia, que fazem com que a contabilidade portuguesa no Grupo 3 chegue aos 10, garantem também desde já que a Seleção Nacional vai manter-se na Liga A da competição no próximo ano, independentemente de marcar presença ou não na final four da presente edição.