No verão passado, Herrera trocou o FC Porto pelo Atl. Madrid e deixou os dragões não só órfãos de um capitão como órfãos de uma referência no meio-campo. Para o substituir, chegou Uribe, que entrou rapidamente para o onze, assumiu um papel preponderante na dinâmica da equipa e foi um dos elementos centrais na conquista do título. Assim como foi a figura central de uma das principais polémica da temporada, assim como foi muito criticado por não arriscar e assim como foi tantas vezes um dos responsáveis pela ausência de criatividade da transição ofensiva do conjunto. Passou um ano. E Uribe é agora a cara de uma equipa que quer aprender com os erros.

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Depois de na única grande entrevista que deu antes do início da temporada ter referido precisamente que queria que Uribe tivesse mais presença no ataque e em espaços mais subidos do relvado, Sérgio Conceição aproveitou a antevisão da deslocação ao Bessa para garantir que o jogador “está mais solto”. “Hoje está completamente integrado e sabe bem o que queremos. É verdade que lhe exijo muito, e faço-o porque tem essa capacidade e qualidade de chegada ao último terço e de aparecer em zona de finalização com alguma facilidade. Mas não é só a ele. É a todos os médios, pois esta é das características de que gosto na linha média. Sem dúvida que noto o Matheus [Uribe] mais solto neste sentido”, disse o treinador dos dragões.

Este sábado, em Alvalade, Uribe respondeu a essa exigência de Sérgio Conceição e apareceu na grande área a responder a um cruzamento de Zaidu para empatar o marcador — já depois de ter cabeceado por cima na sequência de um passe de Corona. O médio colombiano, que desde o início da época está muito mais subido no terreno e aproveita a competência de Sérgio Oliveira para delegar as tarefas defensivas, é agora um dos ativos mais importantes do FC Porto no ataque e uma alternativa aos três elementos da frente quando a pressão adversária é bem executada.

Uribe tornou-se assim o exemplo de uma equipa que quer evoluir na continuidade: pegar nas características dos jogadores que já estavam no plantel, levá-las ao limite e tirar o maior proveito possível dos elementos que já faziam parte do grupo. E a verdade é que o médio colombiano, e o exemplo que daí advém, pode abrir a porta a uma integração mais eficaz dos novos reforços, numa ótica de recuperação de erros cometidos anteriormente.

Ainda assim, nunca o FC Porto de Sérgio Conceição tinha sofrido o sexto golo do Campeonato tão cedo, logo à quarta jornada — o pior registo do clube desde 1969/70. Em quatro jogos, os dragões começaram a perder em três e só não sofreram golos num (contra o Boavista) e os sete pontos em quatro semanas são mesmo o pior arranque desde 2004/05. Além disso, o FC Porto voltou a não conseguir ganhar um jogo grande, depois de na época passada ter vencido todos os Clássicos que disputou contra Sporting e Benfica.