Uma experiência realizada pelo Centro Médico da Universidade de Erasmus, na cidade holandesa de Roterdão, mostrou como o novo coronavírus pode ser transmitido pelo ar em distâncias superiores a um metro. O exercício envolveu furões, gaiolas e um sistema de tubo para ventilação.

Duas gaiolas foram postas uma em cima da outra e em ligação através de tubos horizontais e verticais com vários ângulos de 90º. O furão infetado estava na gaiola de baixo; e o saudável na de cima. O fluxo de ar foi direcionado para cima através de um tubo que, em cada um dos lados, tinha uma grade de aço. A distância média percorrida pelo ar ao atravessar o tubo era de 118 centímetros, mas variava entre os 73 centímetros e os 163 centímetros.

Ora, de acordo com o relatório publicado no repositório “bioRxiv”, quatro furões foram infetados com o SARS-CoV-2 ou com o coronavírus que provocou o síndrome respiratória aguda grave de 2003. Dois dos quatro furões saudáveis acabaram mesmo por ficar infetados pelo novo coronavírus. No caso do SARS-CoV, os quatro furões saudáveis terminaram infetados pelo coronavírus que causou a epidemia de 2003.

Para os autores do estudo, “apesar de estas experiências não diferenciarem entre a transmissão através de pequenos aerossóis, grandes gotículas e fómites, estes resultados demonstram que o SARS-CoV e o SARS-CoV-2 podem continuar infecciosos enquanto viajam pelo ar“.

Estas conclusões são publicadas numa altura em que várias instituições de saúde pelo mundo — incluindo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) — afirmam que o novo coronavírus pode ser transmitido por partículas mais pequenas, contrariando a posição oficial da Organização Mundial de Saíde e da Direção-Geral da Saúde, que insistem que o vírus se transmite por gotículas de maiores dimensões.

No entanto, esta experiência não basta para concluir que alguma das partes está mais correta do que a outra. O repositório onde este relatório foi publicado recebe documentos para pré-publicação, que não foram sujeitos a revisão pelos pares. Além disso, os próprios autores afirmam que não é possível concluir que gotículas transmitiram os vírus para os furões saudáveis.

A experiência tem outras limitações. O número de animais testados nesta investigação é demasiado baixo para tirar conclusões consistentes sobre a transmissão do vírus. De resto, tendo em conta que apenas dois dos quatro furões foram infetados pelo SARS-CoV-2, o resultado pode indiciar uma transmissão de puro acaso.