O banco espanhol Bankinter teve um lucro de 220,1 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2020, uma queda homóloga de 50,5%, explicada pelas “grandes provisões” feitas de 243,5 milhões para contrariar o impacto da pandemia de Covid-19.

No relatório de atividade de janeiro a setembro de 2020 enviado à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) espanhola, o banco destaca que realizou estas reservas extraordinárias para prevenir o agravamento do cenário macroeconómico, cujo principal fator foi a crise criada pela pandemia.

O banco informa que nas suas contas não houve “extraordinários” e salienta que os empréstimos cresceram 7% no período de nove meses.

O rácio de solvabilidade CET1 “fully loaded” — que inclui todos os requisitos de capital impostos pelas autoridades regulamentaras — foi de 12%, acima do mínimo de 7,7% exigido pelo Banco Central Europeu (BCE).

O Bankinter assegura que está numa “situação muito melhor” do que os seus concorrentes, tendo o rácio de crédito mal parado melhorado em 22 pontos básicos, para 2,51%, apesar da atual conjuntura.

O Bankinter sublinha que de janeiro a setembro teve um rácio de rentabilidade sobre o capital investido (ROE) de 7,1% e que, se fosse excluído o impacto das provisões extraordinárias, o ROE do banco no final do terceiro trimestre seria 10,86%, superior ao custo do capital.

Em termos de liquidez, o banco alcançou pela primeira vez uma proporção mais elevada de depósitos do que de empréstimos, com um rácio de 101,3%.

No que se refere à sua sucursal portuguesa, o Bankinter afirma que “os negócios recorrentes continuaram a bom ritmo”, tendo havido um crescimento em todas as margens da conta.

O Bankinter Portugal constituiu provisões de oito milhões de euros nos primeiros nove meses de 2020 para evitar o impacto da deterioração macroeconómica, o que, juntamente com o facto de a empresa ter deixado de distribuir provisões, como em anos anteriores, resultou num lucro antes de impostos que caiu 36%, para 33 milhões de euros.