Sem surpresas, a Comissão de Assuntos Judiciais do Senado, de maioria republicana, aprovou a nomeação da juíza Amy Barrett, escolhida por Trump, para o Supremo Tribunal norte-americano. Fica a faltar apenas a confirmação dos senadores na próxima segunda-feira da nomeação da juíza escolhida por Donald Trump para ocupar o lugar vago deixado por Ruth Bader Ginsburg.

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A escolha e respetivo processo de nomeação da juíza tem marcado a agenda da campanha às presidenciais norte-americanas (que se realizam a 3 de novembro, poucos dias depois da expectável validação, a 26 de outubro, pelos senadores, do nome de Barrett)  e Amy Barrett respondeu às questões dos senadores democratas e republicanos já na semana passada, antes da validação desta quinta-feira. Os 12 senadores republicanos aprovaram a juíza e os 10 democratas boicotaram a sessão, contra o que consideram ser um “processo de confirmação ilegítimo”.

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Os democratas defendem que devia ser o presidente eleito a 3 de novembro a indicar o nome para preencher a vaga que ficou livre depois da morte da juíza Ruth Bader Ginsburg a 18 de setembro.

“A maioria do Senado está com a nomeação mais apressada, mais partidária e menos legítima da, longa, história de nomeações para o Supremo Tribunal”, afirmou o líder da minoria democrata, Charles Schumer

Mesmo sem os votos dos democratas, a maioria de republicanos (53 contra 47) será suficiente para validar a indicação de Amy Barrett já na segunda-feira. Lindsey Graham, republicano líder da comissão, defendeu a juíza Barrett, classificando-a como “a pessoa mais capaz” com um “profundo e amplo conhecimento da Lei”.

Simbolicamente, além de não estarem presentes na sessão desta quinta-feira, os democratas colocaram nos 10 lugares que ocupam fotografias de pessoas que, segundo o Partido Democrata, irão perder direito a cuidados de saúde.

Também Kamala Harris, senadora e candidata à vice-presidência dos Estados Unidos, usou o Twitter esta quinta-feira para criticar a nomeação da juíza Amy Barrett. “O processo desta nomeação é uma farsa e mostra como os republicanos não vão parar até impedirem milhões de americanos de terem acesso aos cuidados de saúde”, escreveu depois de ter também ela deixado a sua cadeira livre na votação.