João Galamba pretende apresentar uma queixa-crime por denúncia “caluniosa” contra a revista Sábado. O Secretário de Estado da Energia estará a ser alvo de investigações por parte do Ministério Público por corrupção e tráfico de influência no processo do hidrogénio verde, juntamente com o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, segundo a publicação.

Galamba demonstrou a sua total disponibilidade para esclarecer ao Ministério Público o seu alegado envolvimento no processo do hidrogénio verde. O Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) esclarece em comunicado que a “Estratégia para o Hidrogénio, aprovada em Conselho de Ministros em 30 julho, é pública, e, no seu âmbito, foi aberta uma Manifestação de Interesse, em 18 de junho de 2020”. Foram apresentados 74 projetos, diz a tutela.

“Mais informa o MAAC que um consórcio constituído pela EDP, REN e GALP, Vestas e Martifer apresentou projeto no âmbito deste instrumento de consulta de mercado, o qual foi apreciado positivamente pelo júri, tendo passado à segunda fase”, acrescenta.

Tendo em conta que não havia nenhuma “aprovação nenhum contrato, nenhum financiamento e, consequentemente, nenhum pagamento, é inexplicável o teor da denúncia esta quinta-feira noticiada pela revista Sábado”, lê-se ainda em comunicado.

Hidrogénio verde. Ministro da Economia e secretário de Estado da Energia investigados pelo Ministério Público

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Siza Vieira também já reagiu: vai apresentar queixa-crime

Pedro Siza Vieira também é um dos envolvidos no processo e vai apresentar queixa crime por “denúncia caluniosa”. “Os factos que eventualmente — não sei exatamente quais são — me são imputados não têm qualquer fundamento, designadamente naquelas matérias que são enunciadas na revista Sábado”, disse o ministro da Economia no final da conferência de imprensa dedicada aos novos apoios às empresas.

Siza Vieira apresenta queixa-crime à PGR por “denúncia caluniosa” no processo do hidrogénio verde

Ao Observador, o Ministério Público (MP) confirmou a existência de um inquérito em fase de investigação, e a correr termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), mas não confirmou se o ministro e o secretário de Estado são visados no processo. Ainda de acordo com o MP, não há arguidos constituídos.

O processo do hidrogénio verde visará vários crimes económico-financeiros — corrupção e tráfico de influência incluídos —, no âmbito do projeto nacional do hidrogénio verde, que ao longo das próximas três décadas deverá ser subsidiado por largas centenas de milhões de euros em fundos públicos.