Um surto de Covid-19 numa residência assistida de idosos em Lisboa fez um morto, num total de 15 infetados, confirmou o Observador junto da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT). Segundo as autoridades de saúde, do total de infetados na Residência Domus Vida Lisboa, 9 foram funcionários e os demais eram residentes. Desde sexta-feira passada que não há casos positivos no lar e 14 dos infetados recuperaram. O décimo quinto acabaria por morrer durante o internamento hospitalar — tinha 101 anos e várias comorbilidades, explicou a ARSLVT.

Se a residência se mantiver livre de novos casos até sexta-feira, 13 de novembro, o surto será dado como encerrado, já que é necessário que passem 28 dias consecutivos sem novos testes positivos, que começam a contar desde o último infetado conhecido, para se poder declarar o fim do surto. Para que caia na designação de surto é necessário que dois ou mais infetados tenham relação epidemiológica entre si.

Contactada a José de Mello Residências e Serviços, proprietária do lar de idosos, a empresa escusou-se a fazer comentários sobre o surto em causa, referindo que os casos positivos “não são tornados públicos no que depender da SPSI [Sociedade Portuguesa de Serviços de Apoio e Assistência], em defesa da privacidade e do bem-estar dos residentes e colaboradores”.

Dos 6 residentes infetados com o vírus que provoca Covid-19, três tiveram de ser internados e um deles, já depois de estar a receber cuidados no hospital, acabou por morrer. Os quatro idosos infetados com SARS-CoV-2 que não tiveram de ser hospitalizados por estarem com sintomas ligeiros cumpriram isolamento na residência assistida, confirmaram as autoridades de saúde.

O surto teve origem numa trabalhadora da instituição que, depois de diagnosticada, terá levado ao despiste de todos os funcionários e residentes, explica a ARSLVT. “Na sequência de uma funcionária da instituição ter evidenciado sintomas suspeitos para Covid-19, foram solicitados e feitos testes a todos os funcionários e residentes, um total de 190 (111 funcionários e 79 residentes).” Os 9 funcionários que testaram positivo cumpriram isolamento em casa, sem necessidade de hospitalização.

Já a sociedade que gere a residência garantiu ao Observador que faz “com muita regularidade, testes de despiste ao novo coronavírus a todos os residentes e colaboradores das suas unidades Domus Vida Estoril e Domus Vida Lisboa, o que tem sido fundamental na identificação de casos em fase assintomática, permitindo o seu isolamento e evitando o desenvolvimento da doença e de cadeias de contágio”.

Na resposta enviada ao nosso jornal, refere-se ainda que o Plano de Contingência foi atualizado 13 vezes nos últimos meses, de acordo com as orientações e recomendações das autoridades de saúde. A residência assistida Domus Vida é anunciada, no seu site, como “um espaço onde o conforto e a privacidade” se aliam “à comodidade de serviços de hotelaria e à segurança que só o apoio de enfermagem 24 horas por dia lhe podem oferecer”.