O Facebook removeu 22,1 milhões de conteúdos sobre o discurso de ódio no terceiro trimestre deste ano, enquanto o Instagram retirou 6,5 milhões no mesmo período, anunciou esta quinta-feira a rede social.

“Hoje [esta quinta-feira] estamos a publicar o nosso relatório de aplicação dos padrões de comunidade para o terceiro trimestre”, referiu o Facebook, num documento que fornece métricas sobre a forma como a rede social aplicou as suas políticas entre julho e setembro deste ano.

De acordo com o relatório, no terceiro trimestre o Facebook removeu 22,1 milhões de peças de conteúdo de discurso de ódio, das quais 95% foram proativamente identificadas (detetadas pela própria rede social).

No mesmo período, foram removidos 6,5 milhões de conteúdos do mesmo género no Instagram (tinham sido 3,2 milhões no segundo trimestre), sendo que a maioria (95%) foi proativamente detetada, contra 85% nos três meses anteriores.

No que respeita a peças de conteúdo violento e gráfico, foram removidos 19,2 milhões (acima dos 15 milhões no segundo trimestre) no Facebook.

Ainda nesta plataforma, foram removidos 12,4 milhões de peças de nudez infantil e conteúdo de exploração sexual (9,5 milhões no segundo trimestre) e 3,5 milhões de conteúdos relativos a ‘bullying’ e assédio (acima dos 2,4 milhões no segundo trimestre).

No terceiro trimestre, o Instagram removeu 4,1 milhões de peças de conteúdo violento e gráfico (acima de 3,1 milhões no trimestre anterior) e um milhão sobre nudez infantil e conteúdo de exploração sexual (acima dos 481 mil nos três meses anteriores).

No que respeita a conteúdos relativos a bullying e de assédio, foram retirados 2,6 milhões, ligeiramente acima dos 2,3 milhões no trimestre anterior.

Por fim, o Instagram retirou 1,3 milhões de peças sobre suicídio e automutilação (acima dos 277.400 no segundo trimestre).

O aumento da taxa de deteção proativa no discurso de ódio no Instagram “foi conduzida, em parte, pela melhoria da nossa tecnologia” para o inglês, árabe e espanhol, “e expansão da tecnologia de automação”, refere o Facebook.

“Esperamos flutuações nestes números à medida que continuamos a adaptar-nos aos desafios da covid relacionados com a força de trabalho”, adianta a rede social.

O Facebook atualizou esta quinta-feira também os padrões de comunidade do website para incluir políticas adicionais.

Por exemplo, o Facebook passa a exigir informação adicional, nomeadamente de um membro familiar, antes de remover a conta de uma pessoa falecida.

Outras políticas já foram anunciadas anteriormente, como aquela que proíbe de colocar ‘posts’ de desinformação e de rumores não verificados que contribuem para o risco de violência iminente ou de danos físicos.

Em cada 10 mil visualizações no Facebook, 10 a 11 incluíram discurso de ódio no 3.º trimestre

O Facebook incluiu esta quinta-feira, pela primeira vez, a prevalência do discurso de ódio no seu relatório trimestral, referindo que, em cada 10 mil visualizações na rede social, “10 a 11” incluíam referência ao tema, entre julho e setembro.

No que respeita à medição do seu progresso no combate ao discurso do ódio, o Facebook anunciou esta quinta-feira que, “pela primeira vez”, inclui a a prevalência do discurso de ódio na rede social, como parte do seu relatório trimestral de aplicação de padrões da comunidade.

A prevalência, explica, estima a percentagem de vezes que as pessoas veem conteúdos deste género naquela plataforma.

Calculamos a prevalência do discurso de ódio através de uma amostra de conteúdos vistos no Facebook e rotulando quando violam as nossas políticas de discurso de ódio” e, porque este tipo de discurso “depende do contexto cultural e da língua, enviamos essas amostras representativas para revisores em diferentes regiões e idiomas”, explica o Facebook.

Assente nesta metodologia, “estimamos que a prevalência do discurso de ódio de julho a setembro de 2020 foi de 0,10% a 0,11%”.

Ou seja, “em cada 10 mil visualizações, 10 a 11 delas incluíam discurso de ódio”, referiu a rede social.

No terceiro trimestre, o Facebook removeu 22,1 milhões de peças de conteúdos de discurso de ódio e o Instagram 6,5 milhões.

“Medimos especificamente quanto o conteúdo prejudicial pode ser visto no Facebook e no Instagram, porque a quantidade de vezes que o conteúdo é visto não é distribuído” da mesma forma.

Ou seja, uma peça de conteúdo pode ser viral e ser vista por muitas pessoas num período curto de tempo, enquanto outro conteúdo pode ficar na Internet por mais tempo e ser visto apenas” por um pequeno conjunto, prossegue a rede social.

O Facebook acrescenta que definir o discurso de ódio não é algo simples, uma vez que existem opiniões diferentes sobre o que constitui esse discurso. A história, a língua, a religião e alteração de normas são importantes fatores a ter em conta na forma como a rede social define as suas políticas.

Com base na contribuição de uma ampla gama de especialistas globais e partes interessadas, definimos discurso de ódio como qualquer coisa que ataca diretamente as pessoas com base em características protegidas, incluíndo raça, etnia, origem nacional, filiação religiosa, orientação sexual, sexo, género, identidade de género ou deficiência ou doença grave”, explica.

“O nosso objetivo é remover o discurso de ódio sempre” que seja detetado, mas “sabemos que ainda temos progresso a fazer”, salienta o Facebook.

A rede social desenvolveu ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e sistemas para detetar proativamente e remover o discurso de ódio.

“Porque o discurso de ódio é tão contextual, a deteção de IA requer uma capacidade” de rever os posts holisticamente, com contexto e em várias línguas, salienta.

No entanto, os avanços das tecnologias IA permitem aumentar a remoção deste tipo de conteúdos no Facebook.

A rede social refere que quando começou a reportar as suas métricas sobre o discurso de ódio, no quarto trimestre de 2017, a taxa de deteção proativa era de 23,6%.

“Isto significa que do discurso de ódio que removemos, 23,6% era detetado antes de qualquer utilizador o reportar” ao Facebook, explicou.

“Hoje [esta quinta-feira], detetamos proativamente 95%” deste tido de conteúdo, o qual é removido.