Cerca de 5.000 pessoas compareceram esta sexta-feira, em Minsk, ao funeral de um ativista da oposição bielorrussa que morreu no hospital na semana passada, um dia após a sua detenção pela polícia.

Familiares e amigos de Roman Bondarenko e muitas mais pessoas reuniram-se perto de uma igreja nos arredores de Minsk, capital da Bielorrússia, muitos segurando flores vermelhas e brancas — as cores da oposição — que posteriormente depositaram no cemitério ao norte da capital. O ex-soldado, de 31 anos, foi preso pela polícia na quarta-feira, em Minsk, após uma altercação entre moradores e homens mascarados que removiam fitas vermelhas e brancas do pátio de um edifício.

Com danos cerebrais, Bondarenko morreu no dia seguinte num hospital, com fortes suspeitas de ter sido espancado.

“Trazer Roman de volta não está ao nosso alcance, mas podemos garantir que tais crimes nunca se repitam”, escreveu a líder da oposição Svetlana Tikhanovskaya, exilada na Lituânia, numa mensagem na rede social Telegram.

No funeral, as pessoas aplaudiram e cantaram “Roma, você é um herói” — usando um diminutivo Roman — e “Vou sair”, uma alusão à última mensagem do jovem à sua família. O cantor Alexei, que pediu que o seu apelido não fosse divulgado, disse que veio orar pela alma de Roman Bondarenko. “O seu sacrifício não foi em vão”, disse à agência de notícias AFP.

A oposição bielorrussa exige há mais de três meses a renúncia do Presidente Alexander Lukashenko, reeleito para um sexto mandato em agosto, apesar das acusações de fraude eleitoral.

Semanalmente, aos domingos, Minsk é palco de concentrações, que depois de terem atingido no início o total de cerca de 100.000, um recorde na história do país, passaram progressivamente a serem menos participadas. Alexander Lukashenko, de 66 anos, respondeu às manifestações com repressão, e centenas de pessoas são detidas em cada protesto semanal.

Todos os líderes da oposição foram detidos ou forçados ao exílio e pelo menos quatro pessoas já morreram durante os protestos ou após terem sido detidas. Os manifestantes detidos também acusam a polícia de atua de tortura.