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Os advogados de Rui Pinto estiveram longas horas a fazer perguntas a Nélio Lucas, ex-administrador da Doyen. Era a terceira sessão do julgamento do Football Leaks (das 26 que já leva) em que está a prestar depoimento como testemunha. Francisco Teixeira da Mota quis passar a pente fino vários documentos relacionados com a origem do dinheiro da Doyen e com os investimentos feitos pela empresa. Mas uma boa parte das respostas não foi esclarecedora: “Não me recordo”, “não lhe sei dizer” ou “não faço ideia”. Cá fora, em declarações ao jornalistas, o advogado admitiu, em tom de brincadeira, que talvez Nélio Lucas estivesse com “um problema de memória”.

Questionado sobre se Retif Arif, tio de Malik Ali (ex-sócio da Doyen e um dos membros da família Arif, que fez fortuna no Cazaquistão e Turquia), financiou a Doyen através do seu sobrinho, Nélio Lucas disse não fazer “a mínima ideia”. Depois de Teixeira da Mota mostrar documentos com os investimentos da Doyen em que constava várias vezes a sigla RA, Nélio Lucas não soube “precisar” que sigla era aquela e se era da sua autoria, apesar de admitir que aquele era um documento interno da Doyen. A testemunha também não se recordou de um empréstimo de 1,5 milhões da Doyen ao FCP.

Não me recordo desse empréstimo. Por acaso não sei precisar, se não responderia. Estou sempre disponível como sabe”, disse, suscitando em Rui Pinto uma gargalhada.

O facto de o clube Twente, financiado pela Doyen, ter sido sancionado pelas autoridades holandesas? “Não me recordo”. Nas várias horas em que esteve a ser inquirido, Nélio Lucas só acabaria por confirmar a ligação do filho de Pinto da Costa à Doyen: que a empresa de Alexandre Pinto da Costa recebeu 700 mil euros pela transferência de Casemiro para o Real Madrid. “É verdade. Era o parceiro da empresa em Portugal”, afirmou Nélio Lucas.

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