A União de Associações do Comércio e Serviços considera que a revitalização do comércio passa pela mobilidade das pessoas, ressalvando que tem de haver uma ajuda “muito grande” do Governo e que o prolongamento da pandemia é penalizador.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da associação, Lourdes Fonseca, explicou esta terça-feira que o comércio é uma das áreas mais resilientes e que mais capacidade têm demonstrado de adaptação ao longo dos tempos, mas realçou que os setores mais dependentes do turismo têm revelado muitas dificuldades desde março, quando foi decretado o primeiro estado emergência.

Não há possibilidade de substituir o movimento que era feito com o número de pessoas e número de clientes em termos de turistas que recebíamos, não há forma de substituir esse negócio ou mitigá-lo de forma significativa”, salientou, referindo que o comércio de rua “passa muito pela circulação de venda ocasional, mais do que pela venda programada”.

Os negócios ligados aos eventos culturais, familiares (casamentos e batizados) e moda são os mais afetados.

Apontando para alguma criatividade dos empresários, apesar das dificuldades, Lourdes Fonseca alertou que as ajudas do Governo e, na capital, da Câmara Municipal de Lisboa poderão não ser suficientes. No seu entender, tem de haver intervenção no arrendamento comercial.

Há ainda aqui uma lacuna em termos de auxílio que é a questão das rendas. Com a nova legislação, muitas delas foram atualizadas. […] Neste momento, são um peso muitíssimo grande nos negócios. […] Acho que tem de haver uma ajuda por parte do Governo”, disse.

No sábado, o Governo anunciou o adiamento do pagamento trimestral do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e dos pagamentos à Segurança Social, e avançou que o ministro da Economia divulgará em breve apoios às rendas comerciais.

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, António Costa, na conferência de imprensa para anunciar novas medidas para combater o aumento de número de infeções por covid-19, decididas no Conselho de Ministros de sexta-feira.

Em 11 de novembro, o município de Lisboa apresentou um programa para o comércio e restauração da capital, no valor de 20 milhões de euros, com apoios a fundo perdido entre quatro e oito mil euros, a pagar a partir de dezembro.

O programa, que foi apresentado pelo presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), deverá abranger cerca de oito mil empresas e empresários da cidade, que representam 80% do setor na capital e 100 mil empregos, e será pago em duas tranches, entre o próximo mês e março de 2021.

Como a pandemia se tem prolongado no tempo, acaba por quase ser mais penalizador, porque quando for pagar vai ter de juntar tudo”, observou Lourdes Fonseca, sustentando que com as restrições à circulação divulgadas pelo primeiro-ministro no sábado as “perdas serão maiores do que aquelas que estavam previstas”.

Segundo a presidente da UACS, as empresas não vão conseguir compensar nos próximos dias aquilo que poderiam lucrar na altura do Natal, sobretudo aos fins de semana.

De acordo com o decreto do Governo que regulamenta a aplicação do novo estado de emergência devido à pandemia de covid-19, são estabelecidas três exceções à obrigatoriedade de encerramento do comércio às 13h00 nos fins de semana de 28 e 29 de novembro e 5 e 6 de dezembro, bem como nos feriados de 1 e 8 de dezembro.

Como nós sabemos nas compras de Natal, as pessoas preferem fazer presencialmente na loja. As condições existem em termos de segurança, mas, como não podem estar abertos, as pessoas não podem circular, não podem lá ir”, lembrou, afirmando que haverá empresários que não vão conseguir aguentar e terão de encerrar portas.

Lourdes Fonseca acrescentou que desde setembro a associação começou a ter pedidos para apoiar a reestruturação dos negócios e avisos de encerramento.

Nós sabemos que, a partir desta pandemia, a economia e todo o volume de faturação da parte de empresários ligados ao comércio não poderá ter os mesmos níveis de quando começou. Está fora de hipótese. Aquilo que vai acontecer é que vai haver ruma reestruturação da adaptação da maior parte dos empresários – readequarem toda a estrutura dos custos para poderem assegurar a sua sobrevivência e a partir daí começarem a revitalização”, apontou.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.397.322 mortos resultantes de mais de 59,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 4.056 pessoas dos 268.721 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.