A sessão estava marcada para as 16h, mas 20 minutos antes Tiago Mayan já se encontrava na sala do Hotel Aliados, na cidade do Porto, para apresentar oficialmente a sua candidatura à presidência da República, com o apoio do partido Iniciativa Liberal. A máscara preta com a palavra “liberal” saltava à vista, mas foi o dia escolhido para esta apresentação, 25 de novembro, que deu o mote ao discurso do advogado portuense. “Neste dia, há 45 anos, Portugal tomou um passo fundamental para se estabelecer como uma democracia. O 25 de novembro de 1975 pôde consolidar definitivamente a escolha deste país como uma democracia liberal plena”, começou por dizer.

O “respeito a quem fez essas lutas pela liberdade de cada um”, referiu, levaram à entrada na corrida a Belém: “Entro neste combate para ser esse guardião, em nome de todos, na Presidência da República. É pela liberdade que aqui estou”, sublinhou Tiago Mayan, acrescentando que é candidato “não para ser um defensor acrítico do Governo, mas para cumprir o papel de moderação e equilíbrio sensato entre a governação e o sonho das pessoas”.

Na bagagem, e em linha com o que tem vindo a apontar, Tiago Mayan trouxe também críticas a Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando que o atual Presidente da República nada tem feito no cargo e, por isso, não pode fazer um balanço do seu mandato. “O balanço é de algo que é inexistente, é alguém que não exerceu o mandato de Presidente da República. Há muito pouco a dizer sobre o que ele fez, porque ele nada fez enquanto Presidente da República. É a minha análise sobre isso e é também um dos grandes motivos para estar aqui agora a apresentar-me e a candidatar-me a esse cargo”, afirmou, em declarações aos jornalistas.

Na plateia, o antigo líder da Iniciativa Liberal, Carlos Guimarães Pinto, marcava presença e ainda antes das palavras de Tiago Mayan surgia no projetor um vídeo do deputado e atual presidente do partido, João Cotrim de Figueiredo, com uma mensagem de apoio ao candidato a Belém: um “liberal dos pés à cabeça” e um “cidadão comum que teve a coragem de avançar para esta batalha”.

A ideia do cidadão comum, “fora da bolha do Terreiro do Paço” foi também reforçada pelo próprio Tiago Mayan no discurso e num vídeo de apresentação onde surgia em momentos do dia a dia a tomar café, a apanhar transportes públicos e a fazer voluntariado na Refood. “O que posso transmitir é que serei o presidente de todos os portugueses”, sublinhou, garantindo ser “um cidadão normal, mas que tem bem presente o que significa ser Presidente da República”.

Os “jovens a quem este país negou o futuro”, os idosos “esquecidos e entregues à sua sorte perante um Estado que falha constantemente nesse cuidado” e os “pequenos e médios empresários que são a base do tecido económico deste país” são algumas das prioridades que o advogado enumerou.

Já sobre a campanha eleitoral em tempos de pandemia, Tiago Mayan admitiu que tudo terá de ser diferente, mas que espera ter a oportunidade de debater com todos os candidatos. A prioridade, acrescentou, é defender os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

O poder é do cidadão e temos vindo a ver continuamente o poder do cidadão a ser coartado em diferentes aspetos, impedindo a sua liberdade de escolha, na sua capacidade de tomar decisões e de agir até. E, portanto, a minha prioridade e foco enquanto presidente da República será garantir a devolução do poder é feita ao cidadão”, afirmou Tiago Mayan.

No final, e independentemente daquilo que dizem as sondagens — a mais recente aponta para 1% das intenções de voto nas eleições presidenciais — , a promessa do candidato liberal é levar a campanha “até ao fim”, numa proposta que, afirma, “merece estar no boletim de voto” no dia 24 de janeiro.

Nascido e criado no Porto, Tiago Mayan Gonçalves é advogado, membro fundador do IL e esteve também envolvido nas campanhas e movimento “Porto, o Nosso Partido”, que elegeram Rui Moreira para a Câmara do Porto, sendo membro suplente da Assembleia da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde por este movimento.

Em julho, Tiago Mayan anunciou a sua candidatura a Presidente da República. As eleições presidenciais estão agendadas para 24 de janeiro e contam com mais sete pré-candidatos: Ana Gomes, André Ventura, Marisa Matias, João Ferreira, Vitorino Silva, Bruno Fialho e Paulo Alves. Marcelo Rebelo de Sousa ainda não anunciou se vai recandidatar-se ao cargo, embora seja muito provável que o faça na primeira quinzena de dezembro.

Tiago Mayan Gonçalves anuncia candidatura a Belém apoiada pela Iniciativa Liberal