O presidente da Câmara de Valença estimou esta sexta-feira em 99% a percentagem de redução da faturação do comércio tradicional e da restauração do concelho e defendeu apoios especiais para o setor das zonas transfronteiriças.

“Não estou a pedir só para Valença, mas para toda a zona transfronteiriças, de norte e sul do país. A raia vive das trocas entre Portugal e Espanha e, neste momento, para o comércio tradicional e a restauração o momento que atravessamos tem sido a noite pura”, afirmou à agência Lusa Manuel Lopes (PSD).

Para o autarca, na fronteira entre os pois países, o caso de Valença, no distrito de Viana do Castelo de Tui, na Galiza, é “muito especial” pela proximidade entre as duas cidades.

Nós vivemos a 400 metros uns dos outros. Vivemos o dia-a-dia com os nossos vizinhos espanhóis. Costumamos dizer que almoçamos em Valença e vamos tomar café a Tui, e vice-versa. Isto é tão perto que a ponte sobre o rio Minho é nada mais nada menos que mais uma rua de Valença. Durante o dia cruzamo-nos umas poucas de vezes”, reforçou.

Na fortaleza de Valença, que antes da pandemia de Covid-19 recebia a visita regular de 12 mil pessoas por dia, a maioria dos cerca 200 estabelecimentos comerciais instalados no interior, “cerca de uma meia dúzia estão a funcionar”.

“Em termos de comércio tradicional somos o maior centro comercial a céu aberto da Península Ibérica. As quebras de faturação são enormes, cerca de 99% porque o nosso comércio vive sobretudo dos nossos vizinhos espanhóis e do outro lado da fronteira há confinamento geral”, reforçou.

“Só depois de passar esta vaga é que vamos fazer um ponto de situação porque há muitos espaços fechados que optaram por dar férias aos funcionários. A maior parte dos restaurantes está fechada porque não faz qualquer sentido o encerramento às 13h. O almoço dos espanhóis começa às 14h”, referiu.