Cinco anos e oito meses de prisão. Esta foi a pena atribuída a Loujain al-Hathloul, uma saudita que ousou enfrentar o governo do reino, em 2018, batendo-se pelo direito de as mulheres conduzirem. A Arábia Saudita viu-se obrigada a admitir a derrota, sobretudo por pressão internacional, legalizando esta “ousadia” por parte da suas cidadãs, mas não esqueceu o “desaforo” que, passados dois anos, resultou na condenação da activista a quase seis anos de cadeia.

Os governantes locais tinham pedido ao tribunal uma pena de prisão de 20 anos, por a activista defender que um país que se diz civilizado deveria permitir que todos os seus cidadãos pudessem tirar a carta de condução e conduzir um veículo, e não apenas os homens.

Segundo o Sabq, Al-Hathloul foi acusada de usar a Internet para promover um ataque ao reino saudita, reunindo apoios junto de agentes exteriores para forçar alterações ao sistema do país. De recordar que já em 2018, Loujain al-Hathloul e 10 outras mulheres que se bateram pelo direito de guiar foram presas, isto apesar de um mês depois o país que vive do petróleo ter concedido às mulheres este direito.

Mas se as mulheres sauditas passaram a usufruir desse direito e cerca de 70.000 já têm carta (numa população de 34 milhões), Loujain al-Hathloul continua detida e foi sentenciada para assim continuar. A ONU já fez saber a sua estranheza em relação à condenação da cidadã saudita, mas não se conhece o que a organização, em que o português António Guterres é secretário-geral, fez durante os mais de dois anos em que ela esteve presa, a aguardar julgamento apenas porque se bateu pelo direito de as mulheres conduzirem.

Apesar desta conquista, as sauditas continuam a ter de enfrentar vários entraves, segundo o Gulf News. Exemplo disso é que poucas são as escolas que aceitam mulheres como candidatas, sendo que as aulas “delas” custam mais do que as ministradas aos homens.