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No seguimento da conferência de imprensa de João Pedro Araújo, diretor clínico do Sporting que assumiu (e pediu desculpa à equipa técnica) a existência de dois “falsos positivos” nos casos de Nuno Mendes e Sporar, Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, deixou duras críticas à conduta dos leões, destacou que a utilização dos jogadores pode ser considerada como “um crime público” e admitiu que os dragões podem ponderar a participação na Final Four da Taça da Liga caso a dupla não seja impedida de defrontar os azuis e brancos.

Sporting teve dois “falsos positivos” (um denunciado por um corte de cabelo) e espera ter Nuno Mendes e Sporar no clássico

“No dia em que as autoridades apertaram as medidas para a contenção da pandemia o Sporting anunciou a intenção de cometer um crime público. Os jogadores Nuno Mendes e Sporar testaram positivo há quatro dias, mas o Sporting diz que estão em condições de defrontarem o FC Porto”, escreveu o responsável portista no Twitter, prosseguindo. “O protocolo da DGS [Direção-Geral da Saúde], assinado pela dra. Graça Freitas, é claro, mesmo nos casos assintomáticos obriga a dez dias de isolamento após o teste positivo. Tudo o que fuja a isto é um crime público que numa altura de crescimento exponencial de casos e de mortes é inaceitável”.

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Os atletas em causa, positivos inequívocos dia 13, se não tiverem manifestações graves da doença, como se deseja, poderão voltar a jogar dia 23. Isso é verdade para os jogadores do Sporting, para os do FC Porto e para qualquer cidadão que nesse mesmo dia tenha testado positivo”, destacou.

“É extraordinário e terrível que um clube com as responsabilidades do Sporting se deixe seduzir pela miragem da vitória a qualquer preço para tentar atropelar a lei e ser um péssimo exemplo para toda a população. A estupidez, mesmo quando assintomática, é muito perigosa. O FC Porto comunicou esta situação à Liga e à DGS e espera que as autoridades façam cumprir a lei, sob pena de ter de repensar a participação na competição, para defesa de todos os intervenientes. É uma questão de saúde pública, concluiu Francisco J. Marques.

O FC Porto reforçou as críticas em comunicado oficial emitido pouco depois da reação do diretor de comunicação no Twitter. “Em causa o atentado à saúde pública anunciado pelo Sporting (…)  Esta tarde, o Sporting anunciou que os dois atletas estarão em condições de enfrentar o FC Porto já amanhã, em jogo da Taça da Liga, o que significa que não cumprirão os dez dias de isolamento que são obrigatórios para quem testou positivo para Covid-19, de acordo com o protocolo da Direção-Geral da Saúde assinado pela diretora-geral Graça Freitas”, começou por referir a missiva colocada pelo clube nas várias plataformas de comunicação.

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“Esta antecipação em seis dias do fim do isolamento dos dois jogadores do Sporting é um crime público, inaceitável numa altura em que Portugal é líder mundial do número de novos casos de Covid-19 por milhão de habitantes e numa fase em que todos os dias se bate o recorde nacional de mortes por esta doença. E é ainda mais incompreensível por ser cometido por um clube presidido por um médico. O FC Porto comunicou esta situação à Liga e à Direção-Geral da Saúde e vai participá-la à Ordem dos Médicos, na expectativa de que as autoridades façam cumprir a lei, sob pena de ter de repensar a participação na Final Four da Taça da Liga, para defesa de todos os intervenientes. É uma questão de saúde pública”, completou o comunicado dos dragões.