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Cerca de cinco mil pessoas poderão ter votado, no último domingo, no (pretenso) candidato presidencial Eduardo Baptista que cedo avisou que não iria conseguir as assinaturas mas acabou no (topo do) boletim de voto. É impossível saber ao certo, porque estes votos estarão entre os 39.998 votos considerados “nulos” pela contagem oficial, mas uma sondagem à boca das urnas da Intercampus, para o Correio da Manhã, obteve 21 votos no “candidato-fantasma” – um número que se pode extrapolar para os tais cerca de cinco mil votos.

Apesar de ser uma amostra curta para se poder extrapolar com grande segurança sobre o número de eleitores, esta foi uma sondagem à boca das urnas que acertou na percentagem final de votos brancos e nulos. Eduardo Baptista, um militar, terá ficado surpreendido, quando contactado pelo Correio da Manhã para falar destes números: “Quase cinco mil pessoas votaram em mim? Isso é sério? Isso é muita bom, é muita gente”, disse o “candidato-fantasma”, acrescentando: “De facto, tenho muita malta nova que concorda com as minhas ideias. A minha família e amigos também me disseram que votaram em mim, mas não estava à espera”.

O candidato apresentou apenas 11 assinaturas – e só seis foram consideradas válidas –, a milhas das 7.500 exigidas, no mínimo. Mas o processo continuou, mesmo assim, e a 24 de dezembro chegou um e-mail do Ministério da Administração Interna a pedir que enviasse uma foto para colocar no boletim de voto. “Eu disse à senhora que não, que só tinha 11 propusituras e por isso não ia ser candidato, mas ela insistiu que tinha de ser assim, que não havia tempo”, recorda Eduardo Baptista, que diz ter enviado duas fotos e pedido aos serviços que escolhessem “a mais bonita”.

O tenente-coronel está a viver nos Países Baixos, ao serviço da NATO nos últimos três anos. Foi em Haia que votou, em antecipação, mas garante que nem sequer votou nele próprio – terá votado em Tiago Mayan Gonçalves, “um candidato com quem tinha uma dívida de gratidão por ter tentado interceder a meu favor”. Ainda assim, diz ter ficado “contente” por ver o seu rosto no boletim de voto, ainda mais no topo (foi isso que ditou o sorteio): “Pelo menos assim as pessoas ficam a conhecer-me. Para a próxima se não estiver morto e ainda acreditar neste projeto volto a candidatar-me”.

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