Gordon Murray, fundador do fabricante de superdesportivos Murray, é um daqueles engenheiros para quem os carros de competição ou até os superdesportivos de estrada não têm segredos. Foi ele que desenhou o McLaren MP4/4 de F1, com que Alain Prost e Ayrton Senna venceram 15 das 16 corridas do campeonato de 1988, tendo igualmente concebido o Brabham BT 46B, o célebre carro ventoinha, bem como os BT 49 e BT 52 com que Nelson Piquet se sagrou campeão em 1981 e 83.

Se os seus carros brilharam em pista, especificamente na Fórmula 1, Murray foi encarregado pela McLaren de conceber o F1, o primeiro superdesportivo de estrada da marca britânica. Mas este foi o projecto do técnico sul-africano em 1993, pois hoje toda a sua atenção está na marca que criou com o seu nome e no seu primeiro modelo, o T.50, um superdesportivo que recupera a ventoinha (accionada por um motor eléctrico a 48V, capaz de incrementar o apoio aerodinâmico em 50%) para extrair o ar sob o chassi, colando-o ao solo e maximizando a aderência e a velocidade em curva.

T.50 põe em xeque Ferrari, McLaren e Lamborghini

O T.50 monta um motor encomendado à Cosworth, um V12 atmosférico com 3,9 litros, que anuncia um roncar impressionante (especialmente às 12.100 rpm) e 663 cv. Mas tão ou mais importante do que a potência, é o baixo peso do conjunto, com Murray a recorrer aos truques que utilizava quando desenhava carros de F1. Ao pesar apenas 986 kg, o T.50 é catapultado para uma capacidade de aceleração brutal, mas nada que se compare com a eficiência que o modelo deverá revelar nas travagens e em curva. Vão ser fabricados 100 exemplares do T.50, destinados a serem vendidos a 2,6 milhões de euros a unidade.

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Depois de apresentar o T.50, a Murray evoluiu rapidamente para uma versão mais radical, exclusivamente para rodar em pista, a T.50s. Mas não contente com esta versão para circuito, Gordon Murray deu mais um passo em frente e, para homenagear o seu amigo e piloto austríaco (que venceu com o Brabham BT 46B “ventoinha” o Grande Prémio da Suécia em 1978), concebeu o T.50s Niki Lauda, um carro ainda mais ousado e eficiente para rodar longe das vias públicas. O peso cai para somente 852 kg, enquanto a potência do V12 cresce para 711 cv, valor que aumenta para 725 cv com recurso à entrada de ar sobre o tejadilho.

Porque a habilidade de um carro de pista não é atingir 400 km/h, mas sim a máxima velocidade possível mesmo nas rectas mais pequenas, o T.50s Niki Lauda monta uma caixa anormalmente curta para o tornar ainda mais rápido, o que limita o modelo a 340 km/h, velocidade que ainda pode ser reduzida para 270 km/h, à vontade do cliente.

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Graças ao ventilador, ao splitter frontal, à asa traseira e ao extractor traseiro, o T.50s Niki Lauda é capaz de gerar 1500 kg de downforce, quase o dobro do seu peso, o que lhe permitiria percorrer um túnel a rodar no tecto e não pelo asfalto. Serão fabricadas 25 unidades do T.50s Niki Lauda, mas só por 3,6 milhões de euros e em 2023, uma vez que até lá a Murray está concentrada em fabricar os 100 primeiros T.50, bem como os T.50s, para só depois se concentrar na versão Niki Lauda.