Torna-se cada vez mais provável que os Jogos Olímpicos de Tóquio não possam receber público vindo de outros países que não o Japão. Seiko Hashimoto, a nova presidente do comité organizador depois da demissão de Yoshiro Mori, abriu oficialmente a porta a essa possibilidade depois a imprensa japonesa ter garantido nos últimos dias que a decisão já tinha sido tomada.

“Se a situação for difícil e deixar os japoneses preocupados, é algo que temos de evitar”, disse Hashimoto, que assumiu o cargo no passado mês de fevereiro, depois de uma conversa com Thomas Bach, o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI). A declaração da responsável máxima pelos Jogos Olímpicos surgiu então na sequência de uma notícia do jornal japonês Mainichi, que na quarta-feira — antes da reunião entre Hashimoto e Bach –, garantiu desde que logo que a decisão de fechar a edição de 2021 a público estrangeiro estava tomada e iria ser anunciada no final de março. “Na situação atual, é impossível receber espectadores estrangeiros”, podia ler-se na notícia, que citava fontes governamentais envolvidas nas discussões.

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Depois da reunião com o presidente do COI, Seiko Hashimoto foi questionada pela imprensa japonesa sobre como é que poderia sequer existir a possibilidade de Tóquio receber milhares de estrangeiros — numa altura em que mais de 80% da população do país defende o cancelamento ou o adiamento dos Jogos Olímpicos. A responsável pela edição olímpica de 2021 garantiu que a presença ou não de adeptos nas bancadas das provas tem sido um dos pontos-chave durante as discussões com Thomas Bach, com o presidente do Comité Paralímpico Internacional, com o autarca de Tóquio e com o ministro japonês com a pasta dos Jogos.

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“Vamos concentrar-nos no essencial. E isso significa concentrar-nos principalmente nas competições. Este tem de ser o foco claro. E para atingir isso podemos ter de estabelecer uma ou outra prioridade”, disse Bach à entrada da reunião com Seiko Hashimoto, antes de a conversa ser fechada aos jornalistas. “A ideia é ter o maior número possível de atletas a chegar a Tóquio já vacinados. Posso garantir que um número considerável de comités olímpicos já garantiu a vacinação pré-Tóquio”, acrescentou, enquanto que Hashimoto referiu que o número de espectadores permitido nas provas será decidido no final de abril e que a opção de não ter qualquer adepto nas bancadas “não foi discutida”. “Precisamos de olhar para a situação global antes de decidirmos sobre quaisquer percentagens. Acreditamos que nada disto será aceite a não ser que os cidadãos estejam confiantes e sintam que estamos a tomar medidas suficientes”, atirou.

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Os Jogos Olímpicos de Tóquio vão envolver 11 mil atletas olímpicos e 4.400 paralímpicos, aos quais se juntam milhares de treinadores, árbitros, patrocinadores, elementos da comunicação social e VIPs. A vacinação será recomendada mas não exigida e o plano da organização é isolar os participantes na bolha da Aldeia Olímpica, que estará localizada junto à baía da capital japonesa.