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O Governo vai “agir em conformidade” na proteção do património nacional e solicitar a “identificação das vias judiciais e extrajudiciais ao dispor do Estado português” para defender a camisola poveira enquanto património cultural português devido a uma “eventual apropriação abusiva de um importante património imaterial português”.

Em causa está o facto da estilista Tory Burch estar a vender a peça de artesanato sem qualquer referência à Póvoa de Varzim ou a Portugal. Inicialmente, a artista apresentou a camisola como sendo de inspiração mexicana, mas acabou por corrigir o erro.

Perante o sucedido, o Ministério da Cultura revelou, em comunicado, que tem “a valorização, proteção, preservação e salvaguarda do património imaterial português como um importante ativo cultural e económico”, sendo essa “uma das prioridades deste Governo”. Em defesa da camisola poveira, o Executivo já comunicou à Câmara Municipal da Póvoa de Varzim que “fará o que estiver ao seu alcance para que quem já reconheceu publicamente o seu erro não se demita das suas responsabilidades e corrija a injustiça cometida, compensando a comunidade poveira”.

A designer Tory Burch pediu desculpa, na passada quinta-feira, depois da polémica ter chegado às redes sociais. A camisola estava então à venda na loja online por 695 euros, como sendo de design próprio, sem qualquer referência ao facto de se tratar de uma peça de artesanato portuguesa, ligada à tradição piscatória da Póvoa de Varzim.

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Num comunicado publicado no Twitter, Burch admite que foi “um erro” não ter “feito referência às bonitas camisolas de pescador tão representativas da cidade da Póvoa de Varzim”, num texto partilhado em inglês e português.

Ao Observador, Aires Pereira, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, afirmou esta sexta-feira que está a ser negociado um protocolo entre a autarquia e a marca norte-americana. “Existe um protocolo que está em análise do lado de lá, mas para já não posso adiantar nada sobre isso. Passará sempre pelo envolvimento da marca com o artesanato local. É evidente que, se chegarmos a bom porto com este processo, não faz sentido avançar de forma judicial”, referiu o autarca.