O jornalista Nicolau Santos e o administrador da RTP Hugo Figueiredo são os nomes escolhidos para a integrar o novo Conselho de Administração da RTP, anunciou esta sexta-feira O Conselho de Administração da RTP  (CGI).

“Terminado o procedimento, o CGI entendeu, por decisão unânime, dirigir à equipa constituída por Nicolau Fernando Ramos dos Santos e Hugo Graça Figueiredo um convite para, juntamente com um vogal responsável pela área financeira, a designar pelo CGI após parecer prévio e vinculativo do membro do Governo responsável pela área das finanças, apresentarem um Projeto Estratégico da empresa para os próximos três anos, com vista a futura indigitação como membros do Conselho de Administração da RTP”, lê-se no comunicado.

CT da RTP condena “falta de transparência” na escolha de nova administração

A Comissão de Trabalhadores da RTP condenou a “falta de transparência” na escolha do novo Conselho de Administração, considerando que o processo concursal com “contornos mais do que duvidosos” é uma “má notícia” para o serviço público.

Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da RTP “estranha a escolha, por unanimidade, do novo Conselho de Administração”, aguarda o “Plano Estratégico da nova equipa para o próximo triénio e lembra que os trabalhadores da RTP elegeram, há 31 dias, por voto secreto e direto, um representante a vogal não executivo para” a nova administração.

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Criticando os “vícios” apontados “desde o primeiro momento”, a Comissão de Trabalhadores “condena a falta de transparência de todo este processo”, considerando “inaceitável que um Conselho de Administração cessante pague a uma empresa externa para esta escolher, afinal, um membro desse conselho e provavelmente dois para o Conselho seguinte”.

A nota refere também que a nova administração, escolhida pelo Conselho Geral Independente (CGI), “representa continuidade” e “é mais do mesmo”. Para os trabalhadores da RTP “isto significa a continuação de problemas pendentes sem vontade política” para os resolver.

Continuarão por resolver os reenquadramentos, os salários continuarão estagnados e as carreiras travadas. Continuará por integrar uma parte dos precários que constituem necessidades permanentes e continuarão a criar-se falsos recibos verdes”, prossegue o comunicado.

Por isso, a escolha de um novo Conselho de Administração “num processo concursal de contornos mais do que duvidosos é uma má notícia para os trabalhadores e para o serviço público que a RTP é suposto prestar”.

A Comissão de Trabalhadores da RTP referiu ainda que “o texto das linhas de orientação estratégica sobre a área da informação” — que condiciona a escolha da nova administração — “tem o potencial de estar em claríssima violação dos critérios de autonomia editorial estabelecidos nos estatutos da RTP e na lei em geral, dado que um órgão desta natureza não pode escolher administrações da RTP que se comprometam a indicar aos diretores de informação o tipo de comentadores políticos que pode ou não escolher”.

“Terminado o procedimento, o CGI entendeu, por decisão unânime, dirigir à equipa constituída por Nicolau Fernando Ramos dos Santos e Hugo Graça Figueiredo um convite para, juntamente com um vogal responsável pela área financeira, a designar pelo CGI após parecer prévio e vinculativo do membro do Governo responsável pela área das finanças, apresentarem um Projeto Estratégico da empresa para os próximos três anos, com vista a futura indigitação como membros do Conselho de Administração da RTP”, lê-se no comunicado.