Os recentes confrontos tribais na região de Darfur ocidental, no Sudão, forçaram 1.860 pessoas a atravessar a fronteira para o Chade na semana passada, disse esta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“Os refugiados, na sua maioria mulheres, crianças e idosos, fugiram das suas casas em aldeias perto da fronteira após uma série de confrontos mortais que começaram em 3 de abril”, matando pelo menos 144 pessoas, disse o porta-voz do ACNUR, Babar Baloch, através de uma declaração.

Alguns dos refugiados foram deslocados várias vezes nos últimos meses. Em janeiro, duas semanas após o fim da missão conjunta de manutenção da paz ONU-União Africana no Darfur, confrontos semelhantes deixaram mais de 200 pessoas mortas, a maioria delas na instável região do Darfur ocidental.

Refugiados que chegaram ao Chade relatam a destruição das suas casas e posses e ataques direcionados a locais de deslocados internos”, disse Baloch.

No escritório do ACNUR em Farchana, no leste do Chade, “as condições no terreno são terríveis. As famílias deslocadas estão a viver ao ar livre ou encontraram abrigo debaixo de árvores ou em abrigos improvisados. Eles quase não têm proteção contra os elementos numa área onde as temperaturas podem atingir os 40 graus durante o dia”, disse Babar Baloch.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O conflito no Darfur estalou em 2003 entre as forças do regime do ex-presidente Omar al-Bashir, que foi deposto em abril de 2019 sob pressão da rua, e membros de minorias étnicas que se sentiam marginalizados. O governo tinha destacado milícias armadas, compostas principalmente por nómadas árabes, acusados em particular de levar a cabo uma “limpeza étnica“.

A violência deixou cerca de 300.000 mortos e mais de 2,5 milhões de deslocados, na sua maioria nos primeiros anos do conflito, segundo a ONU. O governo de transição assinou um acordo de paz em outubro com vários grupos rebeldes, nomeadamente do Darfur. Mas alguns grupos insurgentes da região não o assinaram.

Na sexta-feira, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse que estava “horrorizado” com o ressurgimento da violência no Darfur ocidental.